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Três mortes simultâneas e UTI caótica: testemunha relata quando hospital começou a desconfiar de enfermeiros

Segundo a PCDF, o técnico Marcos Vinícius é apontado como o mentor do esquema

As vítimas são João Clemente Pereira, de 63 anos, Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos e Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos (Foto: Reprodução)

247 - Três mortes ocorridas de forma simultânea na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga, no Distrito Federal, levantaram suspeitas internas e deram início a uma investigação que hoje aponta para um possível esquema criminoso envolvendo profissionais de enfermagem da unidade. A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) apura a atuação de um técnico de enfermagem de 24 anos como principal suspeito de liderar as ações que teriam resultado nos óbitos.

Segundo a PCDF, o técnico Marcos Vinícius é apontado como o mentor do esquema. Durante os depoimentos, ele teria apresentado versões contraditórias para explicar as mortes, o que reforçou as suspeitas dos investigadores. Outras duas técnicas de enfermagem também são investigadas por possível participação: Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos, que estava em seu primeiro emprego e, de acordo com a polícia, era treinada por Marcos Vinícius; e Amanda Rodrigues de Sousa, de 28 anos, amiga dele e funcionária de outro setor do hospital.

Uma testemunha que trabalha no Hospital Anchieta e acompanhou de perto a movimentação na UTI relatou à TV Record que o episódio chamou atenção justamente pela forma como os pacientes chegaram à unidade e pela coincidência das paradas cardiorrespiratórias. Sem se identificar, ela descreveu o cenário vivido no dia das mortes.

“Todos os tres pacientes que falaecerem no mesmo periodo chegaram aqui andando, o que levatou suspeitas. O servidor publico de 63 anos e a médica de 70 tiveram uma parada cardiorrespiratória juntos. Um outro paciente também teve em uma outra ilha, ou seja, tres paradas ao mesmo tempo. A UTI ficou caótica esse dia, mas, como eles eram obesos, ou seja, tinham comorbidades, ele [Marcos Vinícius] deve ter pensado que essas  mortes passariam desapercebidas.”

Ainda de acordo com a testemunha, apesar de os pacientes apresentarem comorbidades, a simultaneidade das paradas cardíacas causou estranhamento imediato entre os profissionais e a chefia do hospital. O episódio foi considerado atípico pela direção da unidade, que decidiu adotar medidas internas para apurar o que havia ocorrido.

A direção do Hospital Anchieta, segundo o relato, instaurou uma sindicância interna para investigar as circunstâncias das mortes e identificar possíveis falhas ou irregularidades nos procedimentos da UTI. Foi a partir dessa apuração preliminar que indícios de ações criminosas teriam surgido, levando o caso ao conhecimento das autoridades policiais.

A Polícia Civil segue investigando a conduta dos profissionais envolvidos, analisando prontuários médicos, escalas de trabalho, registros internos e depoimentos de funcionários. O objetivo é esclarecer se houve intervenção deliberada nos atendimentos que resultou nas mortes e se outras ocorrências semelhantes podem ter acontecido na unidade.

O caso segue sob investigação, e os suspeitos ainda não tiveram a responsabilidade criminal definida pela Justiça.

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