A suspeita da avó 52 dias após sumiço de crianças em Bacabal
Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 estão desaparecidos após saírem para brincar
247 - Passados 52 dias do desaparecimento de Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, a família das crianças voltou a trazer novos questionamentos sobre o caso que mobiliza o município de Bacabal, no interior do Maranhão. As informações são do portal Metrópoles, após entrevista concedida pela avó das crianças.
Francisca Cardoso, avó dos irmãos desaparecidos, afirmou não acreditar mais que os netos estejam na área de mata próxima ao quilombo São Sebastião dos Pretos, local onde foram vistos pela última vez no dia 4 de janeiro. Em entrevista ao repórter Randyson Laércio, do canal de Paulo Mathias, ela apresentou uma nova suspeita sobre o caso.“Eu creio que no mato eles não estão mais. Alguém levou eles daqui”, afirmou Francisca.
As crianças desapareceram após saírem de casa acompanhadas do primo Anderson Kauan, de 8 anos, para procurar um pé de maracujá. O menino foi localizado com vida quatro dias depois, a cerca de quatro quilômetros da comunidade, o que deu início a uma das maiores operações de busca já realizadas na região.Uma força-tarefa formada por mais de 260 agentes percorreu aproximadamente 200 quilômetros de mata fechada, além de rios, lagos e áreas alagadas
. Apesar da mobilização intensa, nenhum vestígio das duas crianças foi encontrado até o momento.A avó reconhece o empenho das equipes envolvidas nas buscas, mas afirma que justamente a ausência de pistas reforça sua desconfiança. “Até agora nenhuma informação. Não é falta de procura, nunca ficou gente sem procurar as crianças. Todos os dias eles estão na busca”, disse.Francisca também questiona o fato de não terem sido encontrados sinais que indiquem permanência das crianças na floresta. “Porque do jeito que fizeram essa busca nessa mata todinha, com cachorro, com drone, com helicóptero”, argumentou. Para ela, o desaparecimento pode estar relacionado à ação de terceiros. “Viram que o movimento aqui naquele dia estava pouco, viram as crianças e levaram”, completou.
Desde o desaparecimento, a rotina da família foi profundamente afetada. A avó relata impactos físicos e emocionais provocados pela angústia prolongada diante da falta de respostas.“Eu me desesperei, quase que eu morro, minha pressão subiu. Até hoje eu tô aqui com a minha cabeça doendo, sem poder me alimentar direito”, relatou.
Mesmo diante da incerteza, Francisca mantém esperança de reencontrar os netos com vida. “Passa muita coisa [na minha cabeça]. Passam coisas boas, passam coisas ruins. Ainda passam coisas boas porque não foram encontrados na mata. Eu creio no meu coração e na minha mente que eles estão vivos, com alguém”, afirmou.Enquanto a família sustenta a hipótese de sequestro, a Polícia Civil do Maranhão segue trabalhando com outra linha principal de investigação. De acordo com um delegado da corporação, a tese mais provável continua sendo a de que as crianças tenham se perdido na mata e caído no Rio Mearim.“Cada informação que tem chegado, a gente tem checado. Mas a linha de investigação mais forte mesmo é de terem se perdido na mata e caído na água“, explicou o agente.
A polícia ressalta que o inquérito ainda não foi concluído e que outras hipóteses permanecem abertas. A ausência de vestígios materiais e de testemunhas diretas continua sendo um dos principais desafios para a solução do caso.O desaparecimento de Ágatha e Allan segue mobilizando moradores, autoridades e voluntários, mantendo a comunidade em constante expectativa por respostas que possam esclarecer um dos casos mais angustiantes recentes do interior maranhense.
