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Cerca de 66 crianças e adolescentes desaparecem por dia no Brasil

Levantamento oficial aponta alta de 8% em 2025 e mostra que São Paulo concentra 24% dos registros de desaparecimentos no país

Isabelle, de 6 anos, e Michael, de 4 (Foto: Reprodução)

247 - O Brasil registrou, em 2025, uma média diária de 66 desaparecimentos de crianças e adolescentes, evidenciando a gravidade e a permanência do problema em todo o território nacional. Ao longo do ano, os casos envolvendo menores de 18 anos cresceram 8% em relação a 2024, quando a média era de 60 registros por dia nessa faixa etária. Os dados fazem parte de um levantamento oficial divulgado pelo G1.

Segundo a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, instituída pela lei nº 13.812, de 2019, é considerada pessoa desaparecida todo indivíduo cujo paradeiro seja desconhecido, independentemente da causa. Em 2025, do total de crianças e adolescentes desaparecidos, cerca de 61% eram do sexo feminino, somando 14.658 registros, enquanto 38% correspondiam ao sexo masculino, com 9.159 casos. Em 102 ocorrências, o sexo não foi informado.

Nos últimos dias, o desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, tem mobilizado moradores e autoridades no povoado São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, no Maranhão. As crianças desapareceram em 4 de janeiro, e as buscas entraram na quarta semana no dia 26, com a atuação de uma força-tarefa especializada.

As operações contam com o apoio do protocolo Amber Alert, utilizado em situações de risco envolvendo crianças e adolescentes. A coordenadora de Políticas sobre Pessoas Desaparecidas, Iara Buono Sennes, explicou o funcionamento da iniciativa. “A gente tem para esse público uma iniciativa específica e que está implementada desde 2023, que é o alerta Amber, um alerta que funciona especificamente para casos de desaparecimento de crianças e adolescentes. Ele foi implementado aqui pelo Ministério da Justiça a partir de um acordo com a Meta”, afirmou.

O sistema emite alertas emergenciais em casos de desaparecimento ou sequestro de crianças, utilizando plataformas da Meta, como Facebook e Instagram, para divulgar informações e imagens das vítimas em um raio de até 200 quilômetros do local onde ocorreu o sumiço.

Entre as unidades da federação, as maiores taxas de desaparecimento de crianças e adolescentes por 100 mil habitantes foram registradas em Roraima, com 40 casos, seguida pelo Rio Grande do Sul, com 28, e pelo Amapá, com 24. Os números integram o Painel de Pessoas Desaparecidas e Localizadas, alimentado pelas secretarias estaduais de segurança pública e pelo Distrito Federal.

O painel também indica que, entre os desaparecidos menores de 18 anos, mais de 60% são do sexo feminino. Quando considerados os registros de todas as faixas etárias, a proporção se inverte: 59% dos desaparecimentos no país envolvem pessoas do sexo masculino.

Iara Buono Sennes avalia que a diferença entre os sexos é um dado relevante para o diagnóstico das políticas públicas, mas ressalta as limitações na análise das causas. “Por termos dificuldade na apuração das causas do desaparecimento, de qualificar qualitativamente o fenômeno, nós ainda não conseguimos inferir motivações e causalidades”, afirmou. Segundo ela, a política nacional ainda é recente e demanda maior integração com os estados para compreender melhor as desigualdades regionais e de gênero.

Após uma queda observada durante a pandemia de Covid-19, os registros de pessoas desaparecidas voltaram a subir. Em 2025, mais de 84 mil pessoas desapareceram no Brasil, considerando todas as idades. Trata-se do maior número desde o início da série histórica do painel, em 2015, superando os índices anteriores à crise sanitária. A taxa nacional foi de 39 desaparecimentos a cada 100 mil habitantes.

Os dados também revelam forte concentração dos casos em São Paulo, que respondeu por 20.546 registros em 2025, o equivalente a 24% de todos os desaparecimentos no país. Na sequência aparecem Minas Gerais, com 9.139 casos, e o Rio Grande do Sul, com 7.611 ocorrências. Proporcionalmente à população, Roraima lidera o ranking nacional, com cerca de 78 desaparecimentos por 100 mil habitantes.

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