BNDES e governo do Ceará anunciam mais R$ 1,1 bilhão para apoiar investimentos no estado
Financiamentos do Banco a projetos no Ceará aprovados nos últimos três anos somam R$ 8 bilhões, o dobro do valor registrado nos quatro anos anteriores
247 - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Governo do Estado do Ceará e a Prefeitura de Fortaleza anunciaram nesta terça-feira, 27, no Palácio da Abolição, um pacote de investimentos voltados ao desenvolvimento do estado, somando R$ 1,1 bilhão em financiamento aos setores público e privado. As ações incluem obras de infraestrutura urbana, como drenagem, pavimentação, urbanização de lagoas, além de reforço da segurança hídrica do estado e apoio à indústria de tecnologia. As informações são da Agência BNDES de Notícias.
Com financiamento de R$ 622 milhões do BNDES, o Governo do Ceará dará continuidade às obras de duplicação do Eixão das Águas, uma das principais infraestruturas hídricas do estado. A obra beneficia aproximadamente 4 milhões de pessoas (cerca de 47% da população cearense) e reforça o abastecimento de água na Região Metropolitana de Fortaleza. Do valor contratado neste primeiro momento, R$ 372,6 milhões são do programa Invest Impacto 2 – que prevê investimentos totais de R$ 823 milhões para projetos de recursos hídricos no Ceará –, e R$ 250 milhões são oriundos do programa Novo Fundo Clima.
Com cerca de 255 km de extensão, o Eixão das Águas é composto por estação de bombeamento, canais, adutoras, sifões e túneis, e integra o sistema que transporta água do Castanhão até a Região Metropolitana de Fortaleza. Parte do empreendimento tem previsão de entrega em setembro de 2026, com conclusão total estimada para o final de 2026.
“Gostaria de agradecer ao governo do presidente Lula e ao presidente Mercadante pelo anúncio de operações, de investimentos estruturantes no Ceará, muito importantes para o estado e para nossa capital, Fortaleza”, afirmou o governador Elmano de Freitas. “São investimentos de segurança hídrica, de drenagem e de tecnologia no estado do Ceará que demonstram que é muito importante estarmos juntos, governos Federal, Estadual e Municipal, para trazermos benefícios para a população do estado e da nossa capital”.
O projeto de duplicação ampliará a capacidade de transporte de água bruta entre o Açude Castanhão, no Vale do Jaguaribe, e a Região Metropolitana de Fortaleza. Com as intervenções, a vazão do trecho I deverá passar de 11 m³/s para 22 m³/s, e a dos trechos II, III e IV, de 9,5 m³/s para 19 m³/s. A obra é estratégica para reforçar a segurança do abastecimento humano, ampliar a oferta hídrica para atividades produtivas e aumentar a resiliência do estado diante de períodos de estiagem.
Implantado originalmente com financiamentos do BNDES em 2002, 2006 e 2013, o Eixão das Água teve sua duplicação apoiada pelo programa Invest Impacto 1, com R$ 497 milhões. Agora, o novo contrato amplia a capacidade de execução do projeto, que também integra o conjunto de ações do Estado voltadas ao abastecimento de água e à segurança hídrica.
Qualidade de vida – Também foi anunciado nesta terça-feira a aprovação pelo BNDES do financiamento de R$ 250 milhões à Prefeitura de Fortaleza, para execução de obras de drenagem urbana e requalificação de áreas vulneráveis com foco direto na redução de alagamentos e inundações. O projeto, que integra o programa Fortaleza Infra+, vai beneficiar 524 mil pessoas nos bairros mais expostos aos efeitos das chuvas intensas e com maiores vulnerabilidades sociais.
O objetivo é reduzir alagamentos e enchentes, aumentando a segurança e a qualidade de vida da população, especialmente em bairros mais afetados pelas chuvas intensas.
Em seu discurso, o prefeito Evandro Leitão agradeceu ao BNDES pela parceria. “Obrigado, presidente, muito obrigado, diretora, por vocês estarem acreditando na nossa cidade”, afirmou. “Esperamos que todas essas intervenções e processos que iremos realizar possam transformar essas áreas”.
A proposta de financiamento contempla um plano de investimentos de R$ 250 milhões: R$ 100 milhões do programa Fundo Clima – Desenvolvimento Urbano Resiliente e Sustentável e R$ 150 milhões do programa BNDES Invest Impacto.
Na prática, o financiamento do BNDES permitirá a execução de obras de drenagem urbana para ampliar a capacidade de escoamento da água da chuva, reduzir pontos críticos de alagamento e evitar transbordamentos; urbanização e requalificação de lagoas e canais, com impacto direto na diminuição de enchentes; além de pavimentação de vias, recuperação de passeios públicos e ampliação da arborização, melhorando a mobilidade, a segurança e o conforto urbano nos bairros atendidos.
Fortaleza é uma das capitais brasileiras mais expostas a chuvas intensas e alagamentos, sobretudo em áreas com infraestrutura urbana insuficiente. A capital possui 71 áreas de risco, com predominância de problemas relacionados a alagamentos e inundações. Entre os territórios com alta exposição, estão Passaré, Quintino Cunha, Planalto Ayrton Senna, Parque Dois Irmãos, São João do Tauape, Alto da Balança, Granja Portugal e Mondubim.
“Com este apoio, o BNDES contribui diretamente para reduzir a vulnerabilidade de comunidades que historicamente sofrem mais com os efeitos das chuvas intensas e da falta de infraestrutura adequada. São investimentos que salvam vidas, ampliam a segurança urbana e promovem inclusão social, especialmente nas áreas periféricas”, destacou a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello. “Esse tipo de apoio reforça o compromisso do Banco com cidades mais resilientes, sustentáveis e preparadas para enfrentar os impactos da mudança do clima, articulando infraestrutura urbana, planejamento territorial e justiça social”, acrescentou.
Maior data center do NE – O BNDES também anunciou a aprovação do financiamento de R$ 233 milhões à Tecto Data Centers, do grupo V.tal, para a expansão do Mega Lobster, em Fortaleza (CE), o maior data center da região Nordeste. A operação corresponde a cerca de 40% do investimento total de R$ 550 milhões previsto para o empreendimento e será realizada com recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) e da linha Investimentos em Data Centers do BNDES Finem.
“Estamos aqui anunciando um investimento com grande eficiência no consumo de água e energia”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. “A área de inteligência artificial vai crescer de uma forma doutrinária. E todos os serviços de telecomunicações precisam de regulação, mas podem trazer muitos benefícios a humanidade, então são fundamentais. E o Nordeste tem um potencial gigantesco porque tem energia limpa. O sol e o vento permitem que a gente possa fazer grandes investimentos em datacenter”.
O Mega Lobster já está em operação desde outubro do ano passado, com 3 megawatts (MW) de capacidade de TI instalada. A expansão ocorrerá em etapas, acompanhando a crescente demanda dos clientes, com previsão de alcançar 20 MW até dezembro de 2029.
“O financiamento do BNDES é um importante instrumento para viabilizar projetos de infraestrutura digital com visão de longo prazo e altos padrões de eficiência. No caso do Mega Lobster, ele apoia a expansão faseada da nossa capacidade, de forma sustentável. A Tecto já possui uma presença consolidada em Fortaleza, que hoje se destaca como um dos principais polos digitais do Brasil e da América Latina”, afirma José Miguel Vilela, CEO da Tecto Data Centers.
Fortaleza foi escolhida como sede do empreendimento por sua posição estratégica no ecossistema digital, impulsionada pela alta concentração de cabos submarinos internacionais, que conectam o Brasil à América do Norte, Europa e África. A capital cearense abriga atualmente três data centers da Tecto, reflexo da crescente demanda de clientes por processamento intensivo de dados, aplicações em nuvem, inteligência artificial e baixa latência.
“O BNDES tem um papel central no apoio à expansão da infraestrutura digital brasileira, inclusive por meio dos recursos do Fust”, destacou Mercadante. “Além de fortalecer a conectividade e a capacidade das redes no país, projetos como este impulsionam a transformação digital e a competitividade da economia brasileira”.
A estimativa é que as obras de expansão do projeto gerem cerca de 400 postos de trabalho diretos e indiretos. Após a conclusão das etapas previstas, o data center deverá empregar cerca de 30 profissionais, direta e indiretamente.
Crédito para o desenvolvimento – As aprovações de financiamento do BNDES aos setores público e privado do Ceará nos últimos três anos dobraram em relação aos quatro anos anteriores, passando de R$ 4 bilhões, entre os períodos de 2019 a 2022, para R$ 8 bilhões, a partir de 2023. Para o setor público, o crescimento foi de 748%, saltando da casa dos R$ 300 milhões, no quadriênio 2019-2022, para cerca de R$ 2,5 bilhões, no triênio 2023-2025. Nos setores privados da indústria, comércio e serviços, as aprovações quase dobraram, passando de R$ 2,1 bilhões para R$ 3,9 bilhões.
Saneamento – Também pelo programa BNDES Invest Impacto, o Banco aprovou, no ano passado, R$ 121 milhões para Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) executar obras em diversas localidades. Em Crateús, serão investidos R$ 24 milhões na ampliação do sistema de esgotamento sanitário, realização de mais de 1,5 mil ligações domiciliares e implantação de mais de 15 km de rede coletora.
Outros R$ 31 milhões serão destinados à integração da rede de abastecimento de água de Maranguape ao macrossistema da Região Metropolitana de Fortaleza, com reforço no fornecimento para Maracanaú. Em Fortaleza, são R$ 66 milhões para a reabilitação de 6,4 km de tubulação do Interceptor Leste, na Avenida Beira-Mar, que atende cerca de 300 mil habitantes.
O Banco também financiou R$ 500 milhões para aporte do Governo do Estado no aumento de capital da Cagece, com foco em investimentos complementares à PPP de esgotamento sanitário celebrada em 2022. Os recursos viabilizam a substituição de redes antigas de cimento amianto em dezenas de municípios, beneficiando diretamente cerca de 742 mil pessoas.
O BNDES estruturou ainda a parceria público-privada do esgotamento sanitário, que abrange 22 municípios das regiões metropolitanas de Fortaleza e do Cariri, somando 4,2 milhões de pessoas. Com meta de cobertura de 95% de esgoto até 20240, a PPP, contratada em 2023, prevê investimentos de R$ 6,2 bilhões em obras e infraestrutura e R$ 12,4 bilhões na operação do sistema.
Metrô – O BNDES concedeu financiamento de R$ 1 bilhão à primeira linha subterrânea de metrô do Ceará, com 7,3 km de extensão e cinco estações. A obra recebeu R$ 3 bilhões em investimentos, incluindo R$ 660 milhões em recursos do Orçamento Geral da União.
Sertão Vivo – O Ceará foi o primeiro estado do Nordeste a contratar uma operação do Sertão Vivo, que visa ao enfrentamento da pobreza, à adaptação às mudanças climáticas, ao aumento da produção de alimentos, ao restauro da caatinga e da biodiversidade e à gestão sustentável dos recursos naturais.
O apoio do BNDES soma R$ 252 milhões, entre financiamento e recursos não reembolsáveis, beneficiando 63 mil famílias de agricultores distribuídas em 72 municípios, com 21 mil hectares em sistema de produção resilientes, 5 mil sistemas de acesso à água, 12 mil unidades familiares com planos de gestão sustentável e a emissão evitada de 2,8 milhões de toneladas de CO2-equivalente.
Conectividade nas periferias e escolas – Com recursos do Fust, o BNDES apoia investimentos em conectividade de R$ 146 milhões para a universalização do acesso em 168 favelas cearenses e R$ 200 milhões destinados à integração de 44 escolas públicas com rede de fibra óptica de alva capacidade. Os dois projetos integram o Novo PAC.
Transnordestina – Também no âmbito do Novo PAC, o BNDES apoia a implantação da ferrovia Transnordestina, com financiamento de R$ 900 milhões (6% do total a ser investido, que é de R$ 15 bilhões) e participação acionária da subsidiária BNDES Participações S.A. (BNDESPAR). Com 1.206 km de extensão, a estrada de ferro conecta Eliseu Martins (PI) ao porto de Pecém (CE), promovendo a integração de regiões produtoras nordestinas a mercados internacionais.
Aeroporto – Outro projeto da carteira do Novo PAC é o Aeroporto de Juazeiro do Norte, com investimentos de R$ 150 milhões. A obra faz parte do Bloco Nordeste, que reúne seis aeroportos, com investimento total de R$ 4,1 bilhões, sendo R$ 1 bilhão financiado pelo BNDES. As intervenções permitirão a operação de aeronaves do porte do Airbus A321. Com a ampliação de 2,5 mil para 6,5 mil metros quadrados, o terminal poderá atender até 1.000 passageiros por hora, em horário de pico.
Energia renovável – De 2023 a 2025, o BNDES financiou cinco projetos de geração de energia renovável, totalizando R$ 503 milhões para um investimento total de R$ 1,05 bilhão em 14 municípios. Os projetos somam 185 MW em geração de energia renovável, o suficiente para abastecer 217 mil domicílios e evitar anualmente a emissão de 159 mil toneladas de CO2.


