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Flávio Bolsonaro enfrenta resistência para montar palanques no Nordeste

Senador encontra dificuldades com indefinição em palanques e enfrenta resistência de políticos locais

Flávio Bolsonaro (Foto: Saulo Cruz/Agência Senado)
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247 –  A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República enfrenta dificuldades para se consolidar no Nordeste, região considerada estratégica para o desempenho eleitoral nacional e historicamente favorável ao PT. Levantamento publicado pela Folha de São Paulo mostra que, a poucas semanas do início das convenções partidárias, o bolsonarismo ainda convive com indefinições em candidaturas estaduais, palanques frágeis e aliados que evitam demonstrar apoio explícito à sua candidatura.

O desafio ocorre em um cenário no qual o presidente Lula busca repetir o desempenho obtido na região em 2022, quando abriu uma vantagem de 12,6 milhões de votos sobre Jair Bolsonaro na disputa presidencial. O Nordeste continua sendo visto como um dos principais redutos eleitorais do petista.

Atualmente, o campo bolsonarista ainda não definiu candidatos ao governo em quatro estados nordestinos: Pernambuco, Ceará, Maranhão e Alagoas. A ausência de nomes competitivos limita a formação de palanques regionais, considerados fundamentais para fortalecer campanhas presidenciais.

Ceará vive impasse envolvendo Ciro Gomes

No Ceará, as negociações entre o PL e o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) permanecem sem definição. O tema ganhou novos contornos após o agravamento da disputa interna entre Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).

Na última semana, Michelle divulgou um vídeo relatando ter sido "maltratada" e "humilhada" pelo enteado durante uma ligação telefônica ocorrida após um discurso realizado em novembro de 2025, quando defendeu uma aliança com o senador Eduardo Girão (Novo).

Segundo a reportagem da Folha, um dos fatores de tensão entre os dois é justamente a estratégia adotada por Flávio em favor de uma composição com Ciro Gomes.

Apesar das conversas, o ex-ministro tem sinalizado que não pretende participar da campanha presidencial do senador.

"Eu sou do PSDB, como é que eu vou participar de um ato de campanha que não é o do meu partido?", afirmou Ciro Gomes ao ser questionado sobre o assunto.

Maranhão também segue indefinido

No Maranhão, outro estado considerado estratégico, o cenário permanece incerto após o médico Lahesio Bonfim (Novo) desistir da disputa pelo governo estadual. Agora, ele negocia disputar uma vaga no Senado ao lado do ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD).

Braide, segundo a reportagem, procura manter distância da polarização nacional e evita vincular sua candidatura ao cenário presidencial.

Ao mesmo tempo, o diretório estadual do PL é comandado pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho, que declarou apoio ao Senado para dois aliados do governo Lula: o senador Weverton Rocha (PDT) e o ex-ministro André Fufuca (PP).

Pernambuco e Alagoas têm palanques fragilizados

Em Pernambuco, o PL também ainda não definiu quem disputará o governo estadual. A eleição deve ser polarizada entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), ambos aliados do presidente Lula.

O ex-candidato ao governo pelo PL em 2022, Anderson Ferreira, desistiu de uma nova candidatura ao Executivo estadual e disputará uma vaga na Câmara dos Deputados.

Mesmo sem definição sobre a chapa majoritária, Ferreira destacou o peso do eleitorado conservador no estado. "A direita em Pernambuco tem sido determinante nas eleições", disse.

Já em Alagoas, o partido perdeu um de seus principais quadros após a saída do ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas, que se filiou ao PSDB. O deputado federal Alfredo Gaspar (PL) articula uma candidatura ao Senado ao lado do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP), mas a aliança ainda não conta com um candidato ao governo.

Sergipe, Piauí e Bahia apresentam dificuldades

Em Sergipe, o PL perdeu espaço político depois que o ex-prefeito de Itabaiana Valmir de Francisquinho migrou para o Republicanos. O partido lançou a candidatura do vice-prefeito de Aracaju, Ricardo Marques, que, segundo a reportagem, não contará com o apoio da prefeita Emília Corrêa, também filiada ao Republicanos.

No Piauí, a legenda lançou o jornalista Toni Rodrigues, mas os principais partidos de oposição ao governador Rafael Fonteles (PT) apoiam Joel Rodrigues (PP), que ainda não confirmou apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

Na Bahia, o PL fechou uma aliança com ACM Neto (União Brasil) para enfrentar o governador Jerônimo Rodrigues (PT). Entretanto, o ex-prefeito de Salvador tem adotado postura de distanciamento da disputa presidencial e já sinalizou apoio ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD).

Ainda conforme a Folha, embora Flávio Bolsonaro tenha participado da Bahia Farm Show no início de junho, ACM Neto esteve no evento apenas dois dias depois, sem participar de agenda conjunta com o senador.

Aliados do ex-prefeito avaliam que uma aproximação maior com Flávio poderia afastar parte do eleitorado descontente com o governo estadual, mas que não pretende aderir ao bolsonarismo.

Paraíba e Rio Grande do Norte concentram os palanques mais estruturados

Os estados considerados mais organizados para a campanha de Flávio Bolsonaro no Nordeste são Paraíba e Rio Grande do Norte.

Na Paraíba, o senador Efraim Filho deixou o União Brasil para ingressar no PL e disputar o governo estadual. Desde então, passou a realizar uma campanha integrada à candidatura presidencial de Flávio, que tem participação prevista em um ato político em Campina Grande no início de julho.

Já no Rio Grande do Norte, o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias, que também ingressou no PL neste ano, lidera o projeto do partido para enfrentar o grupo político da governadora Fátima Bezerra (PT).

Cientista político aponta pragmatismo das lideranças regionais

Para o cientista político Elton Gomes, professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI), as dificuldades enfrentadas por Flávio Bolsonaro no Nordeste não decorrem apenas da força eleitoral do PT, mas também da estratégia adotada por lideranças locais.

"Para o interior e para as estruturas partidárias estaduais, o que manda é o pragmatismo muito específico, muito fisiológico do chamado Centrão", afirmou.

Segundo o pesquisador, muitos dirigentes regionais preferem preservar uma boa relação institucional com o governo federal para evitar custos políticos e eleitorais.

Elton Gomes também afirmou que o Nordeste apresenta uma dinâmica política heterogênea, marcada pela convivência entre um lulismo ainda predominante no interior e o crescimento do bolsonarismo em áreas urbanas. "O PT ainda é hegemônico no Nordeste, mas o teto do bolsonarismo subiu."

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