Flávio Bolsonaro tem dificuldades para viabilizar palanques no Nordeste
Pré-candidato do PL enfrenta resistência de lideranças estaduais que temem aumento de rejeição eleitoral na região
247 - O pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, enfrenta dificuldades para estruturar palanques eleitorais competitivos nos estados do Nordeste. Nos principais colégios eleitorais da região, lideranças de centro-direita avaliam com reserva o custo político de uma associação direta ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, diante do histórico recente de vitórias da esquerda em disputas locais. As informações são da CNN Brasil.
A principal preocupação desses grupos é que o apoio a Flávio Bolsonaro seja explorado por adversários como fator de desgaste eleitoral. A avaliação é de que a vinculação ao bolsonarismo pode ampliar índices de rejeição e comprometer candidaturas aos governos estaduais em um cenário já desafiador para a direita na região.
No Ceará, o PL chegou a considerar uma aproximação com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB). No entanto, nas últimas semanas, o próprio tucano passou a questionar publicamente os benefícios de um eventual apoio a Flávio Bolsonaro. Entre aliados de Ciro, ganhou força a leitura de que um alinhamento ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), traria menos riscos à imagem do ex-governador cearense.
Na Bahia, o tema também entrou no radar de discussões. Flávio Bolsonaro chegou a tratar do assunto com o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), que aparece bem posicionado nas pesquisas para o governo estadual. Dirigentes do partido, porém, têm demonstrado dúvidas sobre os efeitos de um apoio explícito ao pré-candidato do PL, avaliando que a associação pode gerar mais ônus do que ganhos eleitorais.
Em Pernambuco, o espaço para um palanque ligado a Flávio Bolsonaro é ainda mais restrito. Os dois principais nomes da disputa, João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD), concentram esforços na busca pelo apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que praticamente inviabiliza uma aliança robusta com o PL no estado.
O mesmo quadro se repete em Alagoas, onde o ministro Renan Filho (MDB) conta com o respaldo de Lula. No estado, o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, negocia sua saída do PL rumo ao PSB, enfraquecendo ainda mais a presença bolsonarista local.
No Maranhão, o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), líder nas pesquisas, mantém negociações com forças de esquerda. Já no Piauí, o senador Ciro Nogueira (PP) ainda não definiu se entrará na disputa pelo governo estadual, mantendo indefinido o cenário para eventuais alianças.
Na Paraíba, o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), que lidera as intenções de voto, já sinalizou a intenção de buscar apoio de Lula. O segundo colocado, Lucas Ribeiro (PP), também tem mantido diálogo com o PT, reduzindo o espaço político para Flávio Bolsonaro no estado.
Entre os estados nordestinos, Sergipe aparece como um dos poucos onde o cenário é relativamente menos adverso ao pré-candidato do PL. Há a possibilidade de o prefeito de Itabaiana, Valmir Francisquinho (PL), disputar o governo estadual, embora ele não figure como favorito nas pesquisas até o momento.
No Rio Grande do Norte, o quadro permanece indefinido. O senador Rogério Marinho (PL) tem sinalizado apoio ao prefeito de Mossoró, Alysson Bezerra (União Brasil), nome mais bem colocado nas pesquisas. Alysson, entretanto, tem evitado associar sua imagem à da família Bolsonaro, mesmo sendo oposição à governadora Fátima Bezerra (PT), mantendo cautela sobre um alinhamento formal com o bolsonarismo.


