Irmão de chefe do MP da Bahia aparece em mensagens com Vorcaro
Empresário Marcelo Maia Souza Marques tratou de pagamentos à Mídias Promotora, apontada pela PF como usada em repasses ligados ao Banco Master
247 - O empresário Marcelo Maia Souza Marques, irmão do procurador-geral de Justiça da Bahia, Pedro Maia Souza Marques, aparece em mensagens trocadas com Daniel Vorcaro sobre pagamentos destinados à Mídias Promotora, empresa apontada pela Polícia Federal como parte da estrutura usada em repasses ligados ao Banco Master, informa Tácio Lorran, no Metrópoles.
As conversas foram encontradas no celular de Vorcaro e interceptadas pela PF no âmbito das investigações sobre o esquema relacionado ao Rioprevidência. Nos registros, Marcelo Maia Souza Marques aparece identificado como “Marcelo Terra Firme”. Terra Firme é uma das empresas de Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, apontado pela PF como diretamente ligado aos aportes do Rioprevidência em letras financeiras do banco.
Em uma das mensagens, enviada em maio de 2024, Vorcaro questiona Marcelo Maia Souza Marques sobre um pagamento à Mídias Promotora. “Tudo bem? Mídias Promotora, 8 pau?”, perguntou Vorcaro.
Marcelo respondeu em seguida: “Fala, irmão. Bati com o Félix hoje de manhã. Ele disse que validou na sexta e pediu pra pagar hoje somente. O valor é esse mesmo. Se quiser, posso te ligar pra alinhar [sic]”.
De acordo com a PF, a Mídias Promotora estava registrada em nome de um laranja, mas era controlada por Ricardo Siqueira Rodrigues, identificado nas investigações como lobista do Banco Master no Rio de Janeiro. Ainda segundo os investigadores, ele atuava na captação de clientes e no chamado “alinhamento político” dessas operações com Vorcaro.
Dados da Receita Federal apontam que a Mídias Promotora recebeu R$ 126,6 milhões do Banco Master entre 2023 e 2025. Para a PF, a empresa teria sido utilizada para dar aparência de legalidade a pagamentos feitos pelo banco a integrantes do esquema investigado.
A troca de mensagens coloca Marcelo Maia Souza Marques na operação de envio de valores à Mídias Promotora. A investigação trata o fluxo financeiro como parte da estrutura de repasses vinculada ao Banco Master e aos investimentos feitos pelo Rioprevidência em letras financeiras da instituição.
Marcelo Maia Souza Marques já havia sido citado em reportagem do UOL como responsável pelo registro dos domínios Credicesta.com.br e Credcesta.com.br. A Credcesta tem origem associada à privatização da Ebal, estatal baiana que administrava a rede Cesta do Povo e operava o cartão consignado.
Com o passar dos anos, os direitos de operação da Credcesta passaram por diferentes estruturas societárias até ficarem concentrados em empresas ligadas a Augusto Lima. Posteriormente, houve participação do Banco Máxima, instituição que viria a se transformar no Banco Master.
O registro do site da Credcesta em nome do Banco Máxima foi feito por Marcelo Maia Souza Marques em 12 de julho de 2018. O empresário também é sócio de André Kruschewsky, ex-diretor do Banco Master, na AMF Consultoria e Assessoria LTDA.
André Kruschewsky é primo do ex-procurador-geral de Justiça da Bahia Eugênio Kruschewsky. Ambos foram alvo da CPMI do INSS por suspeitas de envolvimento com esquemas relacionados ao Banco Master e à Credcesta na Bahia.
Daniel Vorcaro está preso desde 4 de março de 2026. As investigações da PF sobre o Banco Master miram operações financeiras, repasses e estruturas empresariais que, segundo os investigadores, teriam sido usadas para movimentar recursos com aparência regular.
Procurado pelo Metrópoles para comentar as mensagens em que tratou com Vorcaro sobre o envio de dinheiro à Mídias Promotora, Marcelo Maia Souza Marques não respondeu. O Ministério Público da Bahia e o procurador-geral de Justiça Pedro Maia Souza Marques também não se manifestaram.



