PF pede ao STJ investigação contra Priscila Krause por repasses a hospital ligado ao marido
Corporação apura destinação de recursos federais à unidade de saúde em Garanhuns; caso também é alvo de auditoria do Denasus
247 - A Polícia Federal (PF) encaminhou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) um pedido de autorização para investigar a vice-governadora de Pernambuco, Priscila Krause (PSD), em razão de sua prerrogativa de foro. A informação foi divulgada inicialmente pelo portal Vero Notícias, que revelou repasses de recursos públicos estaduais a um hospital que tem como sócio o empresário Jorge Branco Neto, marido da gestora.
A PF pretende aprofundar as apurações sobre a destinação de recursos federais à Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, localizada em Garanhuns, no Agreste de Pernambuco. A unidade de saúde possui entre seus sócios Jorge Branco Neto, esposo da vice-governadora.
O pedido de investigação foi formalizado por meio de um ofício assinado pelo diretor-geral substituto da Polícia Federal, William Marcel Murad. No documento, a corporação informa que uma denúncia apresentada por deputados estaduais sobre possíveis irregularidades na aplicação de verbas do Sistema Único de Saúde (SUS) foi incorporada ao procedimento investigativo de número 2025.0127684, já em andamento.
Segundo informações anteriormente divulgadas pelo Vero Notícias, Priscila Krause teria destinado R$ 3 milhões ao hospital enquanto exercia funções na administração estadual. Ainda de acordo com a publicação, a unidade recebeu mais de R$ 25 milhões em recursos ao longo de 2025.
As apurações não se restringem à Polícia Federal. O caso também está sob análise do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus), que conduz uma auditoria para verificar suspeitas de superfaturamento em repasses feitos à instituição privada.
Hospital afirma que atua dentro da legalidade
Em nota, a Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro afirmou que mantém prestação de serviços de alta complexidade à rede estadual de saúde há mais de cinco décadas.
Segundo a instituição, ela “presta serviços de alta complexidade à rede estadual de saúde há 55 anos, tendo atuado durante as gestões de 15 governadores diferentes”.
O hospital também declarou que “todas as contratações foram realizadas dentro da legalidade, sem interferência política”, acrescentando que os contratos tiveram como objetivo “garantir atendimento à população pernambucana”.
A unidade ressaltou ainda que passou por diversos processos de fiscalização nos últimos anos. Em nota, informou que “nos últimos anos, a instituição foi submetida a diferentes auditorias e procedimentos de fiscalização de praxe, incluindo análises do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) e do Denasus, sem que fossem apontadas irregularidades graves ou prejuízo ao erário”.



