Salabert e Hilton apontam transfobia e racismo após inclusão de suas fotos em procedimento ligado a roubo no Recife
O procedimento teve origem em um crime ocorrido em 24 de fevereiro de 2025
247 - As deputadas federais Duda Salabert e Erika Hilton tiveram suas imagens incluídas em um álbum fotográfico utilizado pela Polícia Civil de Pernambuco para reconhecimento de suspeitas em um caso de roubo de celular no Recife. As informações foram divulgadas pelo g1.
O procedimento teve origem em um crime ocorrido em 24 de fevereiro de 2025, no bairro Boa Vista, quando uma vítima teve o celular roubado. Durante a investigação, a polícia montou um conjunto de seis fotografias para que a vítima pudesse identificar possíveis autoras do delito — entre elas, as imagens das duas parlamentares, que não possuem relação com o caso.
A inclusão das fotos veio à tona após a Defensoria Pública do Estado de Pernambuco informar Duda Salabert sobre o ocorrido, por meio de um ofício detalhando o procedimento adotado pelas autoridades. A Defensoria também questionou formalmente os critérios utilizados na seleção das imagens.
Segundo o órgão, há indícios de que a escolha das fotos tenha sido baseada em características de identidade de gênero e raça, e não em semelhanças físicas com a descrição da suspeita. O caso está sob análise da 16ª Vara Criminal da Capital de Pernambuco.
Em reação, Duda Salabert solicitou esclarecimentos à Secretaria de Defesa Social de Pernambuco e pediu a retirada imediata das imagens de qualquer material investigativo. A parlamentar afirmou que o episódio levanta suspeitas de discriminação institucional e reforça estigmas historicamente enfrentados por pessoas trans.
Já Erika Hilton classificou o caso como uma prática "racista e transfóbica", destacando que o uso das imagens não seguiu critérios técnicos adequados.
A deputada também informou que está acionando órgãos competentes para apuração das responsabilidades.A legislação brasileira estabelece regras claras para o reconhecimento de suspeitos.
O Código de Processo Penal determina que a vítima deve, inicialmente, descrever a pessoa a ser reconhecida, e que as imagens apresentadas devem possuir características físicas semelhantes entre si, evitando induções ou vieses que possam comprometer a identificação.
Procurada, a Polícia Civil de Pernambuco informou que instaurou procedimento para apurar os fatos e destacou que adota diretrizes voltadas à atuação ética de seus agentes.
Em nota, a corporação afirmou repudiar qualquer forma de preconceito ou discriminação, reforçando o compromisso com a dignidade humana e o cumprimento da lei.Até a última atualização do caso, a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco não havia se manifestado. O episódio reacende o debate sobre falhas em processos de reconhecimento e os riscos de práticas discriminatórias no sistema de justiça criminal.


