Seis prefeituras do RN são investigadas pela PF por suspeitas de desvios na saúde
Operação apura contratos de fornecimento de insumos médicos e atinge gestores municipais e empresários em diversas cidades do estado
247 - Uma operação da Polícia Federal colocou seis prefeituras do Rio Grande do Norte no centro de uma investigação que apura suspeitas de irregularidades em contratos de fornecimento de insumos para a rede pública de saúde. Entre os alvos estão prefeitos, vice-prefeito, secretários municipais e empresários ligados a distribuidoras de medicamentos, além do cumprimento de mandados de busca e apreensão em diferentes municípios do estado, informa o G1.
De acordo com a Polícia Federal, a apuração tem como base auditorias realizadas pela Controladoria-Geral da União (CGU), que identificaram falhas na execução de contratos firmados com empresas sediadas no Rio Grande do Norte e que atuavam junto a administrações municipais de diversos estados. Os documentos apontam indícios de compra de materiais não entregues, fornecimento inadequado de insumos e possível sobrepreço nos produtos.
Entre os alvos da operação está o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), além do vice-prefeito do município, Marcos Medeiros (PSD). Também foram cumpridos mandados contra o prefeito de São Miguel, Leandro do Rêgo Lima (União), o prefeito de Paraú, Júnior Evaristo (PP), secretários municipais de José da Penha e na residência do irmão do prefeito de São Miguel.
As diligências ocorreram em Mossoró, Natal, Paraú, São Miguel, Upanema, Serra do Mel, Pau dos Ferros e José da Penha. Durante a operação, a PF confirmou a apreensão de dinheiro na casa de um dos sócios de uma empresa investigada, embora o valor não tenha sido divulgado. Um empresário de Serra do Mel também foi conduzido em flagrante à Polícia Civil por posse ilegal de arma de fogo. Segundo apuração da TV Globo, a Justiça determinou medidas cautelares contra empresários investigados, como pagamento de fiança e uso de tornozeleira eletrônica.
Mossoró
A defesa do prefeito Allyson Bezerra afirmou que a investigação trata de fatos ocorridos em diferentes entes municipais e que “não se confunde com a atuação pessoal do chefe do Poder Executivo de Mossoró”. Nas redes sociais, o prefeito informou que teve celular, notebook e HDs apreendidos durante a ação.
Segundo a defesa, o mandado foi autorizado com base em diálogos envolvendo terceiros e decorre de decisão judicial em fase investigativa, “sem qualquer juízo de culpa”. A nota também destaca que, em 2023, o prefeito adotou medidas para ampliar a transparência na compra e gestão de medicamentos. “Desde o primeiro momento, o prefeito colaborou integralmente com a diligência, franqueando acesso às informações solicitadas, em respeito às instituições e à legalidade, convicto de que a apuração técnica e imparcial dos fatos demonstrará a correção de sua conduta”, diz o comunicado.
José da Penha
A Prefeitura de José da Penha classificou a investigação como um procedimento “comum” e afirmou que, diante de irregularidades em um contrato público, todos os demais contratos firmados com a empresa passam a ser analisados, “independentemente de dolo ou culpa por parte dos municípios”.
O município confirmou que manteve contratos com a empresa investigada entre 2023 e 2025, “dentro da legalidade” e sem “nenhum ilícito”. A PF cumpriu mandados de busca nas casas das secretárias de Planejamento, Ana Jarvis de Souza, e de Saúde, Thaciane Maria Ferreira de Souza, além do pregoeiro municipal, Fabiano Ferreira Alves. Segundo a prefeitura, apenas aparelhos celulares foram apreendidos. A gestão informou ainda que vai encaminhar todos os contratos à PF no prazo de 30 horas.
São Miguel
O prefeito de São Miguel, Leandro do Rêgo Lima, afirmou que recebeu representantes da Polícia Federal e da CGU “para colaborar com uma investigação que apura contratos de empresas de saúde em diversos municípios do Rio Grande do Norte”.
“Faço questão de esclarecer à população de São Miguel que as investigações são direcionadas às empresas investigadas, recaindo sobre vínculos firmados com o município ainda na gestão anterior, abrangendo o período de 2023, 2024 e 2025. Ressalto que são contratos estabelecidos e assinados inteiramente na gestão anterior à minha, sem relação com atos da minha gestão atual”, declarou. O prefeito disse ainda que está à disposição das autoridades para colaborar com as apurações.
Paraú
Em nota, o prefeito de Paraú, Júnior Evaristo, afirmou que a operação não tem como foco sua gestão, mas supostas irregularidades envolvendo uma empresa fornecedora de insumos hospitalares. “Esclareço que no nosso município a empresa foi regularmente contratada, seguindo todos os procedimentos previstos na Lei. Tenho a consciência tranquila e absoluta convicção de que inexiste qualquer irregularidade nas contratações realizadas por nossa gestão”, disse.
O prefeito acrescentou que nada foi encontrado ou apreendido em sua residência. “Reafirmo minha confiança na Justiça e coloco-me inteiramente à disposição para colaborar com as investigações. Já determinei que sejam providenciadas cópias de todos os documentos relacionados à licitação e aos pagamentos, para imediato encaminhamento aos órgãos competentes”, afirmou.
Serra do Mel e Tibau
A Prefeitura de Serra do Mel informou que não houve cumprimento de mandados em órgãos municipais e que as diligências ocorreram sem prejuízo aos serviços públicos. A administração destacou o compromisso com a transparência e a legalidade, afirmando que segue à disposição dos órgãos de controle e acompanhará os desdobramentos “com responsabilidade, serenidade e respeito às instituições”.
Já a Prefeitura de Tibau não havia se manifestado sobre a investigação até a última atualização das informações.


