Alta após tragédia: marido de jovem morta em piscina deixa hospital em São Paulo
Vinicius de Oliveira ficou sete dias internado em estado grave após intoxicação em academia na zona leste
247 - Vinicius de Oliveira, de 31 anos, recebeu alta hospitalar neste domingo (15), após permanecer uma semana internado em estado grave por conta de uma intoxicação ocorrida durante uma aula de natação na academia C4 Gym, na zona leste da capital paulista. As informações foram divulgadas pela CNN Brasil.
Ele estava hospitalizado desde o dia 7 de fevereiro no Hospital Brasil, após ser exposto a uma alta concentração de produtos químicos na água da piscina. Vinicius é viúvo de Juliana Faustino Basseto, de 27 anos, que também passou mal no local e morreu após sofrer uma parada cardíaca. A jovem chegou a ser socorrida e levada a uma unidade hospitalar em Santo André, no Grande ABC, mas não resistiu
De acordo com as investigações conduzidas pela Polícia Civil de São Paulo, o cloro utilizado na piscina teria sido aplicado em quantidade muito superior à recomendada e ainda misturado a uma substância que não foi oficialmente identificada até o momento. Além do casal, outras quatro pessoas precisaram de atendimento médico
Mesmo intoxicado, Vinicius teria desempenhado papel decisivo para evitar que o número de vítimas fosse maior. Em depoimento, um dos frequentadores afirmou que só percebeu a gravidade da situação após os gritos de alerta do colega. Segundo relato prestado à polícia, "O rapaz começou a gritar comigo: 'Sai da água, não respira, não engole água'"
Outra testemunha declarou que ele e a esposa estão bem "graças a ele", creditando a Vinicius a iniciativa que permitiu que deixassem a piscina antes que os sintomas se agravassem. Após os avisos, alunos relataram forte cheiro de cloro, queimação intensa nos olhos, nariz e pulmões, além de dificuldade respiratória e episódios de vômito
Excesso equivalente a uma semana
Em coletiva de imprensa, o delegado Alexandre Bento, do 42º Distrito Policial (Parque São Lucas), responsável pelo inquérito, afirmou que a quantidade de cloro utilizada em apenas um dia correspondia ao volume normalmente empregado ao longo de uma semana
Segundo o delegado, o odor do produto químico ainda era perceptível à distância dias após o ocorrido. Documentos reunidos na investigação indicam uso excessivo de substâncias químicas na água da piscina. Para ele, "eles faziam tudo isso visando lucro máximo, para que a piscina nunca fosse fechada."
Manutenção sem qualificação técnica
O manobrista da academia, funcionário há três anos, admitiu em depoimento que realizava a manutenção química da piscina sem qualquer formação técnica específica, limitando-se a cumprir determinações superiores
Ele afirmou que, ao comunicar o dono da academia sobre alunos passando mal, ouviu como resposta apenas a palavra "paciência". No mesmo dia, o delegado-geral Artur Dian confirmou que o cloro estava misturado a outro composto ainda não identificado
Também veio à tona que um dos sócios, Celso Bertolo Cruz, confessou ter apagado mensagens trocadas com o manobrista no dia do episódio, alegando ter agido por "desespero". A investigação revelou ainda que os proprietários teriam recusado, no início de 2025, a contratação de uma empresa especializada para manutenção fixa da piscina
Os três sócios da C4 Gym foram indiciados por homicídio. O delegado Alexandre Bento solicitou a prisão dos envolvidos, mas a Justiça de São Paulo negou o pedido. A Polícia Civil aguarda os laudos definitivos do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico-Legal para concluir o inquérito
Em nota oficial, a direção da academia afirmou que prestou atendimento imediato às vítimas e que está colaborando com as autoridades responsáveis pela apuração do caso
