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Após morte em piscina, sócios atribuem erro a manobrista de academia em SP

O caso ocorreu na capital São Paulo e envolve a morte de Juliana Bassetto

Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, passou mal após entrar na piscina para aula de natação; o quadro se agravou e evoluiu para parada cardíaca (Foto: Reprodução)

247 - Os proprietários da C4 Gym afirmaram à polícia que a intoxicação que levou à morte de uma aluna de 27 anos foi provocada por um erro operacional de um funcionário encarregado de aplicar produtos químicos na piscina. As informações constam de reportagem da CNN Brasil, assinada por Bruna Lopes, e foram obtidas a partir de depoimentos prestados nesta semana à polícia.

O caso ocorreu na capital São Paulo e envolve a morte de Juliana Bassetto, que passou mal durante uma aula de natação após a formação de uma névoa de cloro no ambiente da piscina. Outras seis pessoas também foram hospitalizadas com sintomas de intoxicação.

Em depoimento, um dos sócios — responsável técnico pela manutenção — disse que o funcionário, um manobrista que auxiliava na aplicação dos produtos, “agiu de forma diferente do protocolo adotado normalmente”. Segundo ele, imagens das câmeras mostram o empregado “chacoalhando o balde com cloro em pó de um lado para o outro”, o que teria feito sair uma “névoa de pó de cloro” do recipiente. Para o proprietário, a conduta foi desnecessária e fora do padrão, já que o correto seria usar o produto previamente diluído.

O mesmo sócio afirmou que o procedimento relatado “não faz parte da rotina da academia” e que a prática estaria em desacordo com as recomendações para o tratamento da água. Ele também declarou que a empresa fornece equipamentos de proteção individual aos funcionários, mas disse não saber por que o manobrista não os utilizava no momento do ocorrido.

Outro proprietário declarou que a gestão administrativa é separada da operação diária e que só tomou conhecimento da gravidade do episódio horas depois, quando foi informado de que a aluna havia morrido. Segundo essa versão, até então a direção não tinha sido alertada sobre a dimensão do problema dentro da área da piscina.

A investigação é conduzida pela Polícia Civil do Estado de São Paulo, que apura se houve apenas falha individual do funcionário ou se existiram problemas de supervisão e de procedimentos por parte da empresa. Também estão em análise aspectos administrativos, como a regularidade da documentação de funcionamento do estabelecimento.

Na noite de quarta-feira, os três donos da academia foram indiciados por homicídio, e o delegado responsável pelo caso solicitou a prisão dos envolvidos. Mais cedo, em depoimento, o manobrista afirmou que, ao avisar sobre pessoas passando mal, ouviu apenas a palavra “paciência” como resposta. Ele também disse que tentou contato com o gerente pelo menos três vezes ao perceber o risco, mas não obteve retorno.

O episódio ocorreu no sábado, durante uma aula de natação. Testemunhas relataram forte odor químico, seguido de ardência nos olhos, no nariz e nos pulmões, além de episódios de vômito entre os alunos. Juliana chegou a ser socorrida e levada a um hospital em Santo André, mas não resistiu após sofrer uma parada cardíaca. O marido da vítima e outros três alunos também precisaram de atendimento médico, alguns em estado grave, enquanto um adolescente de 14 anos permaneceu internado para observação.

A polícia segue ouvindo testemunhas e analisando laudos técnicos para esclarecer a dinâmica do acidente e definir se a responsabilidade se limita ao ato do funcionário ou se há culpa por omissão e falhas de gestão. Até a conclusão das perícias, o inquérito permanece em andamento.

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