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Aportes no Master partiram de ex-diretor, diz ex-presidente do Rioprevidência à PF

Depoimento aponta que investimento de quase R$ 1 bilhão foi sugerido por diretor de investimentos e nega irregularidades no processo

Deivis Marcon Antunes (Foto: Reprodução/Rioprevidência)

247 - O ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, afirmou em depoimento à Polícia Federal que a proposta para investir cerca de R$ 970 milhões em Letras Financeiras do Banco Master partiu do então diretor de investimentos da autarquia, Euchério Lerner Rodrigues. A declaração foi dada no âmbito de investigação sobre a aplicação de recursos do fundo responsável por aposentadorias e pensões no estado do Rio de Janeiro, segundo Octavio Guedes, do G1.

Deivis também negou ter recebido qualquer tipo de propina relacionada aos investimentos. Questionado diretamente pelo delegado, respondeu: “Não. Nenhum”. O ex-presidente ainda afirmou que sua nomeação para o cargo não teve caráter político, embora fontes apontem que a indicação teria sido feita por Antônio Rueda, presidente do União Brasil. O ex-governador Cláudio Castro (PL) declarou não se lembrar da origem da indicação, afirmando: “Posso ter consultado Rueda, mas não foi ele. Eu tinha 500 indicações”.

Processo de decisão dos investimentos

Durante o depoimento, Deivis detalhou o funcionamento interno da autarquia e destacou que as decisões de investimento partem da Diretoria de Investimentos, não do comitê. “Esse investimento é proposto pela Diretoria de Investimentos. Eu até li uma coisa assim, que o Comitê não tinha autorizado... o comitê não autoriza investimentos. A diretoria faz a proposição do investimento, e aí o investimento é feito, e o diretor de investimentos faz o encaminhamento, e eu assino juntamente com ele o investimento”, explicou.

Ao ser questionado sobre quem ocupava o cargo de diretor de investimentos no período, Deivis respondeu: “O diretor de investimentos na época era o Euchério”. Ele confirmou ainda que foi o próprio Euchério quem indicou a aplicação no Banco Master.

Assinaturas em bloco e volume de operações

O ex-presidente também esclareceu o procedimento administrativo de assinatura de documentos, destacando o grande volume de operações da autarquia. Segundo ele, as autorizações são feitas em bloco. “Todas elas são assinadas em bloco, porque senão, só um exemplo, seriam 400, 500, 600 assinaturas num dia, porque é um absurdo, o volume é muito grande. A gente paga, além de todos os contratos, 260 mil aposentadorias e pensões”, afirmou.

Escolha do Banco Master e limitações da análise

Sobre a escolha do Banco Master como destino do investimento, Deivis argumentou que a equipe técnica do Rioprevidência era limitada para identificar eventuais problemas mais complexos. “O Regime Próprio de Previdência Social não tinha detectar, com uma equipe formada por nove ou dez pessoas, problemas que até o Banco Central teve dificuldade para identificar”, disse.

Ele também mencionou questionamentos do Tribunal de Contas sobre a necessidade de análise reputacional dos sócios da instituição financeira, mas ressaltou que essa não era uma obrigação formal. “O Tribunal de Contas, eu lembro que na época, falou assim, tinha que fazer análise reputacional dos sócios. Não era obrigação”, declarou.

O depoimento foi prestado em 3 de fevereiro deste ano, após Deivis ter sido detido na Rodovia Presidente Dutra, em Itatiaia, no Sul do Rio de Janeiro, quando retornava dos Estados Unidos. Até a última atualização da reportagem original, Euchério Lerner Rodrigues não havia se manifestado sobre as declarações.

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