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Biomédico ligado a laudo falso contra Boulos é investigado por fraude milionária

MP apura tentativa de desvio de R$ 845 milhões com contratos falsos e arbitragem simulada em espólio do fundador da Unip/Objetivo

Luiz Teixeira da Silva Júnior (Foto: Reprodução/Instagram/@dr.luiz.teixeira)

247 - O biomédico e empresário Luiz Teixeira da Silva Júnior voltou a ser investigado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) sob suspeita de envolvimento em um esquema que teria tentado desviar R$ 845 milhões do espólio do empresário João Carlos Di Genio, fundador da Unip/Objetivo, utilizando contratos falsificados e processos arbitrais simulados. A apuração também relaciona o investigado à divulgação de um laudo falso contra o ministro Guilherme Boulos (PSOL) nas eleições de 2024, informa o jornal O Globo.

De acordo com a investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela Polícia Civil, Teixeira teria integrado uma estrutura que buscava cobrar uma dívida inexistente da família Di Genio. A acusação aponta a criação de uma narrativa considerada “fantasiosa”, sustentada por documentos fraudulentos e procedimentos jurídicos simulados.

Entre os elementos centrais do suposto esquema está um contrato de compra e venda de 448 imóveis em Piraju (SP), datado de novembro de 2021. As assinaturas atribuídas a João Carlos Di Genio — já falecido — e ao seu procurador foram classificadas por peritos como “falsificações grosseiras”, produzidas por meio de decalque e montagem.

A fraude teria avançado com a criação de um processo arbitral fictício em uma câmara considerada de fachada, o Fórum de Negócios e Finanças Internacionais e Nacionais por Arbitragem e Mediação Ltda (FONAMSP). Esse procedimento resultou em uma sentença arbitral que estipulava o pagamento de R$ 845,8 milhões.

Segundo o Ministério Público, Luiz Teixeira teria aderido de forma consciente ao esquema, oferecendo suporte financeiro e jurídico ao ajuizar ações de execução baseadas nos documentos considerados falsos. A investigação também aponta que ele responde a outros processos por falsificação de assinaturas em negociações envolvendo a empresa Planova Planejamento e Construções.

Outro ponto destacado pelos investigadores é a relação do biomédico com Rubens Maurício Bolorino, condenado por tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro, que teria atuado como testemunha nos contratos apresentados no suposto esquema.

A Justiça decretou a prisão temporária de Teixeira por cinco dias, em decisão assinada pelo juiz Paulo Fernando Deroma De Mello em 23 de março de 2026. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados ao investigado nas cidades de Jandira e Carapicuíba, com o objetivo de coletar dispositivos eletrônicos e documentos que possam detalhar a atuação do grupo.

Além disso, foi determinado o bloqueio de ativos financeiros até o limite de R$ 85 milhões e a suspensão imediata das atividades da Colonizadora Planalto Paulista, empresa da qual Teixeira detém 95% do capital social. As autoridades consideram que as medidas são necessárias para evitar a destruição de provas e impedir o uso indevido do sistema judicial para obtenção de vantagens ilícitas.

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