HOME > Sudeste

Cacique Raoni apresenta melhora após cirurgia em São Paulo

Líder indígena segue na UTI com quadro estável após procedimento de desobstrução intestinal

Cacique Raoni (Foto: ADRIANO MACHADO / REUTERS)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 - O cacique Raoni Metuktire apresentou melhora clínica após passar por uma cirurgia de desobstrução intestinal no Hospital São Paulo (HSP/Unifesp), na capital paulista. As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (22) em boletim médico publicado pela instituição, segundo o jornal Folha de São Paulo.

O procedimento foi realizado no sábado (20), por técnica minimamente invasiva, e teve como objetivo normalizar o trânsito intestinal. A unidade informou que a cirurgia transcorreu sem complicações.

De acordo com o boletim médico, Raoni permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com quadro estável. O comunicado informa que o líder indígena está sem febre, apresenta função renal normal e respira sem auxílio de aparelhos.

"A cirurgia ocorreu sem complicações. Está sendo acompanhado na Unidade de Terapia Intensiva [UTI], com evolução clínica estável, afebril, abdome flácido, função renal normal e respirando em ar ambiente", informou o hospital.

Raoni foi transferido para São Paulo na sexta-feira (19), após ser diagnosticado com obstrução intestinal, desidratação e pneumonia aspirativa. Antes disso, ele estava internado em Sinop, no Mato Grosso, onde recebia acompanhamento médico.

Segundo o Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, a transferência foi definida após avaliação conjunta das equipes responsáveis pelo tratamento. O transporte até a capital paulista foi realizado em aeronave disponibilizada pelo Governo de Mato Grosso.

O boletim também informa que o cacique está recebendo alimentação por sonda enteral. "[Ele] mantém alimentação por sonda enteral. Nova atualização sobre o estado de saúde do paciente será emitida amanhã [23], à tarde, ou se houver alterações clínicas significativas", acrescentou o comunicado.

Internação começou após quadro infeccioso

Raoni estava internado em Sinop desde domingo (14), após ser diagnosticado com sepse pulmonar associada a uma pneumonia broncoaspirativa. Os primeiros sintomas surgiram um dia antes, quando apresentou episódios de vômito em sua residência na região de Peixoto de Azevedo (MT).

No dia seguinte, voltou a apresentar vômitos, além de tosse persistente, dores abdominais e eliminação de pequena quantidade de sangue pela boca, o que levou à sua transferência aérea para Sinop.

Em atualização divulgada anteriormente, a equipe médica havia informado melhora da função renal e redução dos indicadores de infecção.

Antes de ser levado para São Paulo, Raoni chegou a deixar a UTI em Sinop e apresentava quadro clínico estável. Segundo o hospital, ele estava lúcido, consciente, orientado e respirando espontaneamente.

Durante a transferência, o líder indígena foi acompanhado por dois familiares, além de um médico intensivista e um enfermeiro. Na capital paulista, seu tratamento passou a ser conduzido pelo cirurgião Franz Robert Apodaca Torrez, professor da Escola Paulista de Medicina da Unifesp.

Nova hospitalização em poucas semanas

A atual internação ocorreu menos de um mês após Raoni receber alta do Hospital e Maternidade Dois Pinheiros. Em maio, ele foi hospitalizado devido a problemas respiratórios e gastrointestinais.

Antes disso, também permaneceu cinco dias internado para tratamento de dores abdominais associadas a uma hérnia.

Segundo a equipe médica, o líder indígena possui comorbidades preexistentes, entre elas Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), insuficiência cardíaca, uso de marcapasso cardíaco e hérnia diafragmática.

Desde 2020, Raoni já passou por seis internações na unidade hospitalar de Sinop. O atendimento está ligado às Expedições UFMT-Xingu, iniciativa da Universidade Federal de Mato Grosso em parceria com o hospital para levar assistência especializada às aldeias da Terra Indígena Capoto/Jarina.

Reconhecido internacionalmente pela defesa da Amazônia e dos povos indígenas, Raoni ganhou projeção nacional nos anos 1970 ao se posicionar contra a construção da rodovia Transamazônica durante a ditadura militar. Em 1989, após conhecer o músico britânico Sting, ampliou sua atuação internacional em defesa da floresta amazônica e dos direitos indígenas.

Artigos Relacionados