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Caso Varginha: 30 anos depois, ex-militar afirma que inventou relato sobre ET após promessa de pagamento

O documentário também ouviu outros militares que, à época, afirmaram ter participado de operações relacionadas ao suposto ET

ET de Varginha (Foto: Prefeitura de Varginha)

247 - Trinta anos após o episódio que ficou conhecido mundialmente como o Caso ET de Varginha, novas revelações colocam em xeque parte dos depoimentos que ajudaram a sustentar a narrativa sobre a suposta presença de uma criatura extraterrestre no Sul de Minas Gerais, em janeiro de 1996. Um ex-militar do Exército afirmou, em entrevista inédita, que inventou seu relato sobre a atuação das Forças Armadas após receber a promessa de R$ 5 mil de um ufólogo, e que a história jamais aconteceu.

A declaração foi exibida na quinta-feira (8), no último episódio da série documental “O Mistério de Varginha”, que acompanha o caso desde os anos 1990. Sem revelar sua identidade, o ex-soldado desmentiu o depoimento que havia concedido em 1996 sobre o suposto transporte de uma criatura para fora da cidade.

Em um dos trechos mais contundentes da entrevista, o militar afirma: “Eu me arrependo muito, porque foi uma história que não aconteceu. A única coisa que eu ganhei com isso tudo foi uma culpa enorme. Naquele dia, a gente vendeu a alma para o diabo”. Segundo ele, o relato foi ensaiado e condicionado à promessa de pagamento, que nunca teria sido cumprida.

O documentário também ouviu outros militares que, à época, afirmaram ter participado de operações relacionadas ao suposto ET. Dos três depoimentos militares que ajudaram a ampliar a repercussão do caso nos anos 1990, dois foram posteriormente desmentidos por seus próprios autores, enquanto um terceiro mantém a versão original, sob anonimato, de que teria visto a criatura em um hospital da cidade com monitoramento do Exército.

Um dos relatos mais emblemáticos do caso foi o de um bombeiro militar, cuja voz aparece em uma gravação antiga afirmando que a criatura capturada “não era deste mundo”. Em áudio gravado em 2019, no entanto, ele voltou atrás. “Não teve nada. Para encurtar, não teve nada. Nada, foi tudo uma manipulação”, afirmou, dizendo ter sido persuadido a gravar o depoimento.

Já o militar que sustenta sua versão afirmou no documentário que viu rapidamente uma estrutura metálica semelhante a uma maca, com algo que lhe pareceu um corpo queimado. “Foi muito rápido, coisa de segundos. Eu nunca imaginei que pudesse ser essa criatura que vem sendo descrita e comentada há 30 anos”, disse. Outros entrevistados, porém, levantam suspeitas de que ele teria recebido dinheiro para manter o relato, o que o militar nega.

O terceiro militar ouvido pela produção fez as acusações mais diretas contra o ufólogo Vitório Pacaccini, um dos principais responsáveis por difundir o caso. “Tudo isso foi criação e invenção da cabeça do Vitório. Ele me contou essa história e perguntou se eu poderia gravá-la com ele”, relatou. Segundo ele, a oferta de pagamento teria sido de cerca de R$ 5 mil, valor significativo à época, mas que nunca foi recebido.

Pacaccini nega qualquer tipo de manipulação ou pagamento e afirmou que os depoimentos foram espontâneos. “Nada disso nunca existiu. Ninguém convenceu ninguém de nada”, disse à equipe do documentário. Outros ufólogos também rejeitam as acusações e afirmam que há uma tentativa de desmoralizar as investigações.

Apesar das contradições envolvendo os militares, parte dos pesquisadores faz uma distinção clara em relação ao relato das três meninas que disseram ter visto a criatura em um terreno baldio. Esses depoimentos, segundo alguns especialistas, permanecem coerentes ao longo das décadas. Para o ufólogo Ubirajara Rodrigues, por exemplo, “o que há de autêntico no caso é apenas o depoimento das três senhoras; o restante foi construído a partir de suposições, inverdades e crendices”.

A série “O Mistério de Varginha”, exibida nos dias 6, 7 e 8 de janeiro, revisita o caso reunindo documentos inéditos, áudios, arquivos históricos e depoimentos atuais de personagens centrais da história. A produção também acompanha a vida atual de Kátia, Liliane e Valquíria, conhecidas como as “três meninas do ET”, e expõe como o episódio impactou a cidade mineira, que se tornou referência mundial na ufologia.

Três décadas depois, o caso segue dividido entre crença e ceticismo. As novas revelações reacendem o debate sobre até que ponto interesses pessoais, dinheiro e pressão externa podem ter influenciado depoimentos que ajudaram a transformar Varginha em um dos maiores símbolos do imaginário extraterrestre no Brasil.

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