Cobertura usada por Cláudio Castro pertence a empresa de ex-secretário
Imóvel de R$ 3,5 milhões alvo da PF no Rio está em nome da J3 Real Estate, ligada a Mauro Farias, ex-integrante do governo Castro
247 - A cobertura usada por Cláudio Castro e alvo de mandado da PF (Polícia Federal) no Rio de Janeiro pertence à J3 Real Estate, empresa ligada a Mauro Farias, ex-secretário de Transformação Digital de seu governo. Avaliado em R$ 3,5 milhões, o imóvel fica no condomínio Península, na Zona Sudoeste da capital fluminense. As informações são do jornal O Globo.
A cobertura foi adquirida pela J3 Real Estate Participações em junho de 2023, menos de dois meses após a abertura da empresa pelo advogado Mauro Farias. A escritura de compra foi registrada em cartório em 16 de junho daquele ano, depois do pagamento dos impostos necessários para a transferência da titularidade.
A empresa proprietária do imóvel tem como sócios Mauro Farias e o advogado Ronaldo Tormenta Pereira. Segundo a reportagem, Pereira é próximo de Rafael Thompson de Farias, outro ex-secretário de Castro, que chefiou a Secretaria de Governo.
Mauro Farias não respondeu às tentativas de contato feitas pela reportagem. Já o advogado Carlo Luchione, responsável pela defesa de Cláudio Castro, afirmou não conhecer detalhes sobre a propriedade do apartamento.
“Desconheço quem seja o dono, sei apenas que é alugado, que o outro também era e já teve o contrato rescindido. Desconheço maiores detalhes sobre esse ponto”, declarou Luchione.
A defesa informou que Castro teria se mudado para a cobertura ao longo deste mês. Essa versão explicaria por que, em uma operação anterior da PF, realizada em maio e relacionada a suspeitas envolvendo a Refit, ele ainda estava em outro apartamento do mesmo condomínio, onde viveu nos últimos anos.
Após a operação de terça-feira, Luchione afirmou que o novo imóvel é alugado, mas não apresentou o contrato de locação. O advogado também disse que, durante a operação do dia 15, Castro já havia iniciado a mudança de endereço, embora ainda ocupasse os dois apartamentos.
“Já havia se mudado antes, só não tinha entregado o antigo por ter lá ainda muitas caixas. O proprietário deu 30 dias para desocupar”, afirmou Luchione, que disse não saber informar o valor pago em aluguel.
A cobertura tem mais de 300 metros quadrados, piscina e área de lazer. O imóvel está localizado na região central do Península, condomínio cercado pela Lagoa da Tijuca. Segundo consulta citada pela reportagem a uma plataforma de aluguel de imóveis, coberturas com piscina na mesma região têm mensalidades entre R$ 12 mil e R$ 30 mil. O valor do condomínio varia de R$ 3,2 mil a R$ 6,2 mil.
Mauro Farias comandou a Secretaria de Transformação Digital, pasta que recebeu orçamento robusto durante sua gestão. Mais de R$ 1 bilhão foi destinado a programas ligados à secretaria. Ele deixou o cargo, a pedido, em dezembro de 2024.
O nome de Mauro também aparece associado a outro ponto sensível envolvendo o entorno de Castro. Ele e Rafael Thompson de Farias foram sócios da P5 Soluções, empresa apontada pelo Ministério Público Eleitoral como destinatária ilícita de recursos da campanha de Castro em 2022.
Ao pedir a reprovação das contas eleitorais do ex-governador, o MP Eleitoral afirmou que uma fornecedora da campanha teria repassado R$ 2,6 milhões à P5 Soluções. Para os investigadores, o caso indicaria “malversação nos gastos públicos vinculados à campanha eleitoral (…) que, no entanto, foram utilizados para outras finalidades espúrias e não comprovada”.
A nova ação da PF contra Castro ocorreu no âmbito das investigações relacionadas ao caso Master. Durante seu governo, o Rioprevidência aportou cerca de R$ 3,7 bilhões no Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Castro negou “relação indevida” com Vorcaro e afirmou que seus contatos foram institucionais. A ofensiva da PF amplia a pressão política sobre o ex-governador e aumenta o desgaste no PL do Rio, em meio às articulações eleitorais para 2026.



