Comissão aprova criação da “Times Square paulistana”
Projeto Boulevard São João prevê painéis luminosos inspirados em Nova York, com regras rígidas de publicidade e investimentos em revitalização urbana
247 - A Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU), órgão ligado à Prefeitura de São Paulo responsável por zelar pela Lei Cidade Limpa, aprovou a instalação de grandes painéis de LED na região central da capital. A decisão abre caminho para a implantação do projeto chamado Boulevard São João, inspirado no visual da famosa Times Square, em Nova York.
Segundo informações publicadas pelo G1, a autorização foi concedida após votação apertada da comissão, que terminou com oito votos favoráveis e seis contrários. A aprovação representa a última etapa administrativa necessária para que o projeto avance, já que no mês anterior ele havia recebido sinal verde do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp).
Regras para publicidade e funcionamento
O modelo aprovado estabelece limites claros para a utilização dos telões. A publicidade poderá ocupar no máximo 30% do tempo total de exibição dos painéis, restrita apenas à identificação institucional de marcas patrocinadoras.
Os 70% restantes da programação deverão ser dedicados a conteúdos culturais ou de utilidade pública. Também foram estabelecidas restrições de conteúdo: serão proibidos anúncios de varejo, jogos de azar e apostas, além de materiais com conteúdo adulto, imagens de violência ou mensagens de caráter político ou religioso.
Outro ponto definido pela CPPU envolve o funcionamento dos equipamentos. Os painéis luminosos poderão operar apenas entre 5h e 23h, medida adotada para reduzir possíveis impactos da luminosidade sobre moradores e sobre o trânsito na região central.
Projeto envolve restauração e mobiliário urbano
Batizada oficialmente de Boulevard São João, a iniciativa será viabilizada por meio de um termo de cooperação entre a prefeitura e empresários da região. Esse mecanismo, previsto na Lei Cidade Limpa, permite a instalação de publicidade vinculada a contrapartidas urbanísticas.
A presidente da CPPU, Regina Monteiro, destacou que a proposta não caracteriza exploração tradicional de mídia externa. Segundo ela, o modelo busca associar o projeto à identificação institucional dos patrocinadores.
"Não é exploração de mídia exterior e sim a veiculação da marca de quem está viabilizando o projeto", afirmou Regina Monteiro.
De acordo com o projeto, os painéis serão instalados em quatro edifícios situados no eixo das avenidas Ipiranga e São João: Cine Paris República, Edifício Herculano de Almeida, Galeria Sampa e Edifício New York. Já o Edifício Independência, onde funciona o Bar Brahma e que possui tombamento patrimonial, receberá projeções em sua lateral.
Investimentos e contrapartidas culturais
A proposta foi apresentada à prefeitura pelo grupo Fábrica de Bares, responsável pelo Bar Brahma. Pelo acordo firmado com o município, a empresa deverá investir em melhorias urbanas e na recuperação de patrimônios culturais da região central.
Entre as intervenções previstas estão a restauração da fachada da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, do Monumento à Mãe Preta, no Largo do Paissandu, e do Relógio de Nichile, localizado na Praça Antônio Prado.
O termo de cooperação terá duração de três anos, com investimento anual estimado em R$ 2 milhões em melhorias urbanas. As ações incluem ainda a instalação de novos bancos e lixeiras ao longo da Avenida São João, no trecho entre o Largo do Paissandu e a Praça Júlio de Mesquita.
Já o custo total para implantação dos telões luminosos é estimado em cerca de R$ 42 milhões.
Expectativa de revitalização do centro
O empresário Álvado Aoas, sócio da Fábrica de Bares, afirmou que o projeto pode estimular a circulação de pessoas no centro histórico e contribuir para a valorização dos bens culturais da região.
"Alguém tem que pagar essa conta de restauro, de recuperação. As estátuas não estão lá só no material para ser preservadas, elas têm que ser vistas. Mas se as pessoas não transitarem na rua, ninguém vai ver", declarou Aoas.
O valor das cotas de patrocínio para empresas interessadas em participar do projeto não foi divulgado. A empresa responsável deverá apresentar relatórios mensais à CPPU, que manterá monitoramento contínuo da operação e poderá revogar a licença caso identifique irregularidades.
Possibilidade de expansão para outras áreas
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) já indicou que o modelo pode ser expandido para outras regiões da capital caso a experiência no centro seja bem-sucedida. Em fevereiro, ele mencionou a possibilidade de aplicar iniciativa semelhante na Rua Santa Ifigênia, tradicional polo de comércio de eletrônicos em São Paulo.
A proposta do Boulevard São João busca criar uma intervenção urbana que combine arquitetura histórica e arte digital em LED, com o objetivo de atrair novos públicos, estimular a economia criativa e promover maior dinamismo ao espaço público da região central.


