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Delegada e líder do PCC compraram padaria em SP para lavar dinheiro, diz investigação

Negócio na zona leste da capital teria sido usado para ocultar recursos ilícitos da facção criminosa, segundo autoridades da Segurança Pública

Layla Lima Ayub (Foto: Reprodução/Redes sociais)

247 - Uma padaria localizada na zona leste de São Paulo foi adquirida por uma delegada da Polícia Civil e por um dos principais líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Norte do país com o objetivo de lavar dinheiro oriundo de atividades criminosas, segundo investigação das autoridades paulistas. A informação foi confirmada durante coletiva de imprensa da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP).

O caso veio à tona a partir de apuração da CNN Brasil, que teve acesso aos detalhes apresentados por integrantes da SSP, do Ministério Público e da Corregedoria da Polícia Civil. Segundo os investigadores, a compra do estabelecimento comercial fazia parte de um esquema estruturado para ocultação e dissimulação de capitais ilícitos.

De acordo com a investigação, a padaria fica no Jardim Itapemirim, na zona leste da capital, e foi adquirida pela delegada Layla Lima Ayub em conjunto com seu namorado, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como Dedel, apontado como liderança do PCC na região Norte do país. Durante a operação, a polícia apreendeu um contrato de compra e venda do imóvel, firmado em nome do casal, no valor de R$ 40 mil.

As autoridades afirmam que o estabelecimento era utilizado como fachada comercial, prática comum em esquemas de lavagem de dinheiro, permitindo a mistura de recursos legais com valores provenientes do crime organizado. A suspeita é de que a movimentação financeira do local servisse para dar aparência lícita ao dinheiro da facção.

Durante a coletiva, o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, destacou que a descoberta do esquema partiu de mecanismos internos de controle da própria corporação. “Essa ação mostra que a gente não hesita em cortar na própria carne. Assim que a nossa corregedoria identificou que tinha coisa errada, foi feita uma investigação que resultou no pedido de prisão à Justiça, em parceria com o Ministério Público. Temos mecanismos rígidos de controle para impedir que pessoas que atuam na ilegalidade integrem nossas forças de segurança”, afirmou.

As investigações apontam ainda que Layla mantinha relações pessoais e profissionais com integrantes do PCC. Antes de assumir o cargo de delegada, em 19 de dezembro de 2025, ela atuou como advogada e chegou a participar de audiências de custódia de presos ligados à facção, acusados de tráfico de drogas e associação criminosa.

Já Dedel é descrito pelos investigadores como peça-chave na expansão do PCC no Norte do Brasil. Mesmo em liberdade condicional, ele teria descumprido medidas impostas pela Justiça ao se estabelecer em São Paulo, onde passou a viver com a delegada e a atuar na gestão de bens usados para lavagem de dinheiro.

A compra da padaria foi identificada no âmbito da Operação Serpens, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo, com apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Civil e do Gaeco do Ministério Público do Pará. Além do imóvel comercial, a investigação busca mapear outros possíveis bens e empresas utilizados para ocultar recursos da organização criminosa.

Até a última atualização, a defesa da delegada não havia se manifestado. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

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