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Delegada presa em SP atuou como advogada de companheiro ligado ao PCC

Investigação aponta que ela pediu à Justiça a remoção de conteúdos sobre crimes atribuídos ao namorado, ex-líder da facção em Roraima

Layla Lima Ayub (Foto: Reprodução/Redes sociais)

247 - A prisão da delegada Layla Lima Ayub, ocorrida na manhã desta sexta-feira (16), trouxe à tona uma série de vínculos profissionais e pessoais com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo as investigações, além de manter relacionamento com um integrante da facção, a policial chegou a atuar juridicamente em favor dele mesmo após já ter sido oficialmente empossada no cargo, o que é proibido por lei, relata o jornal O Globo.

Layla tomou posse como delegada em 19 de dezembro, durante cerimônia no Palácio dos Bandeirantes, ao lado de outros 523 novos delegados. Ainda assim, no fim de 2025, ela teria representado judicialmente o namorado, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como Dedel, apontado como uma das lideranças do PCC em Roraima e preso em 2021.

Segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), a delegada já havia atuado como advogada de integrantes da facção criminosa antes de assumir o cargo policial, mas as apurações indicam que a relação extrapolava o campo profissional. Jardel, inclusive, esteve presente na cerimônia de posse da companheira como delegada.

Além da atuação irregular como advogada após a posse, Layla também ingressou com uma ação judicial solicitando que o Google removesse resultados de busca que mencionavam o histórico criminal do companheiro. Na petição, a delegada argumentou que as notícias prejudicavam o processo de ressocialização de Jardel, que se encontrava em liberdade condicional.

“Atualmente, após ter cumprido parte substancial da pena que lhe foi imposta, o requerente encontra-se em liberdade condicional, buscando ativamente sua completa ressocialização. Ele reconstruiu sua vida, possui novo círculo social, retomou laços familiares e está inserido no mercado de trabalho, demonstrando um compromisso inequívoco com uma vida proba e distante de qualquer atividade ilícita. Ocorre que, ao realizar uma simples busca por seu nome, os primeiros resultados que surgem remetem diretamente a duas matérias jornalísticas que noticiam suas prisões passadas”, escreveu Layla no pedido apresentado à Justiça.

O MP-SP afirma ainda que a delegada mantinha vínculos pessoais e profissionais com membros do PCC e teria participado de audiências de custódia como advogada de presos ligados à organização criminosa mesmo depois de assumir oficialmente o cargo público.

Na operação deflagrada nesta sexta-feira, foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo e Marabá. Além da delegada, um integrante do PCC que estava em liberdade condicional também foi preso temporariamente. A reportagem informou que O Globo tenta contato com a defesa de Layla Lima Ayub.

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