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Investigada no caso Master, Reag administrava fundo da Arena Corinthians

Liquidação da gestora pelo Banco Central obriga Arena FII, dono do estádio, a buscar nova administradora em meio a apurações sobre fraude financeira

Arena Corinthians em Itaquera, zona leste de São Paulo. (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)

247 - O fundo imobiliário responsável pela Neo Química Arena, estádio do Corinthians, entrou em uma fase de transição após a liquidação extrajudicial da Reag Trust, decretada pelo Banco Central nesta quinta-feira (15). A instituição financeira era a administradora do Arena Fundo de Investimento Imobiliário (FII), que agora precisará indicar uma nova gestora para manter suas operações. As informações são da Folha de São Paulo.

 A Reag assumiu a administração do fundo em 2023, substituindo a BRL Trust. De acordo com dados de 31 de dezembro de 2025, o Arena FII possui patrimônio líquido de R$ 672 milhões e conta com apenas três cotistas, todos classificados como pessoas jurídicas não financeiras.

A situação do fundo ocorre em meio às investigações que envolvem a Reag. A empresa é alvo de apuração por suposta participação em um esquema de fraude financeira que teria inflado artificialmente ativos ligados ao Banco Master. Além disso, a gestora foi um dos alvos da Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal em agosto de 2025, que investiga a atuação do PCC (Primeiro Comando da Capital) em setores da economia formal, incluindo o mercado financeiro.

Segundo uma fonte com conhecimento do processo, desde o início da operação da PF o Corinthians vem tentando substituir a administradora do fundo. No entanto, a definição de uma nova gestora também depende da Caixa Econômica Federal, o que tem retardado a conclusão do processo.

Empresário ligado ao futebol no centro das atenções

Fundador da Reag Investimentos, João Carlos Mansur é um personagem conhecido nos bastidores do futebol paulista. Ele integra o conselho deliberativo do Palmeiras e, em abril de 2025, foi eleito para o conselho de orientação e fiscalização do clube, um de seus órgãos mais relevantes. Pessoas próximas ao dirigente já relataram anteriormente que ele nutre o desejo de, no futuro, disputar a presidência do Palmeiras.

Em relação às investigações mais recentes, que incluíram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao empresário, a defesa de Mansur informou que ainda não teve acesso aos autos, mas afirmou estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. O empresário deixou a presidência do conselho de administração da Reag em setembro de 2025, em meio à crise de credibilidade provocada pela operação da Polícia Federal.

Mansur também esteve envolvido em outras iniciativas que chamaram atenção. Em novembro de 2024, anunciou uma parceria da Reag com o zagueiro Vitor Reis, revelado pelo Palmeiras e atualmente no Manchester City, com o objetivo de explorar a imagem do atleta em ações de divulgação. No mesmo ano, o jornal O Globo noticiou que a Reag participava de negociações para comprar a dívida da WTorre com o Banco do Brasil, em uma tentativa de assumir a administração do Allianz Parque.

O histórico do empresário no Palmeiras inclui ainda um episódio de 2009, quando foi alvo de questionamentos do próprio conselho de orientação e fiscalização. À época, o então presidente Luiz Gonzaga Belluzzo pediu a apuração de um contrato que previa o pagamento de valores mensais a Mansur por serviços de consultoria nas obras de transformação do Parque Antarctica em Allianz Parque. O valor estimado chegava a R$ 2,4 milhões, e Belluzzo afirmou não ter assinado o acordo, solicitando investigação interna.

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