PGR investiga fraude em fundo ligado a Vorcaro que investiu no Atlético-MG
Órgão aponta confusão patrimonial em estrutura financeira usada para investir R$ 300 milhões na SAF do clube mineiro
247 - A Procuradoria-Geral da República (PGR) identificou indícios de irregularidades em um fundo de investimentos ligado ao empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, utilizado para aplicar recursos na Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Atlético-MG. As suspeitas constam no pedido de busca e apreensão que embasou a operação realizada recentemente contra o banco e apontam uma possível confusão patrimonial envolvendo os recursos destinados ao clube. As informações são do UOL.
Segundo o Banco Central, o fundo Astralo 95, responsável por investir cerca de R$ 300 milhões no Atlético-MG, está entre os fundos que teriam sido usados para desviar recursos do Banco Master.
De acordo com a investigação, o Astralo 95 operou em conjunto com o Reag Growth 95 e, entre abril e maio de 2024, ambos movimentaram aproximadamente R$ 1,45 bilhão em recursos do Master. Os principais beneficiários finais declarados do Astralo 95 seriam parentes de João Carlos Mansur, ex-dono da gestora Reag, que foi liquidada por decisão do Banco Central.
A PGR, no entanto, afirma haver inconsistências na identificação do real controlador da cadeia de fundos. O órgão destaca que o Astralo 95 detinha 100% das cotas do Galo Forte FIP até novembro de 2024. A partir de dezembro, essa composição mudou: 80% das cotas passaram a estar em nome de Daniel Vorcaro e 20% permaneceram com o Astralo 95. Para a Procuradoria, as informações “estão em contradição com o conhecimento público que, desde o final de 2023, indicava Daniel Vorcaro como o proprietário do Galo Forte Fip”.
O Galo Forte FIP foi o veículo utilizado por Vorcaro para adquirir cerca de 25% da Galo Holding, empresa que controla a SAF do Atlético-MG. A investigação do Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo sustenta, portanto, que o fundo responsável pela compra da participação no clube pode ter sido usado para desviar recursos do banco, embora não detalhe a origem exata do investimento de R$ 300 milhões.
Segundo a apuração, a chamada confusão patrimonial decorre do cruzamento de operações financeiras entre os fundos, o que dificulta identificar se os recursos investidos no clube partiram de patrimônio pessoal de Vorcaro, do Banco Master ou de outros investidores. No total, o MPF aponta movimentações de R$ 5,7 bilhões para fundos suspeitos de terem recebido dinheiro desviado do banco, com destinação final a empresas registradas em nome de laranjas.
Procurado, o Atlético-MG não se manifestou até a publicação da reportagem. Por meio de sua assessoria, Daniel Vorcaro informou que não comentaria o caso.


