Deputado Maurici pede criação de CPI para investigar doações da campanha de Tarcísio em 2022
A comissão teria duração de 120 dias e seria composta por nove deputados; requerimento aponta apuração sobre suposto uso de doadores e empresas "laranjas"
247 - O deputado estadual Maurici (PT-SP) apresentou um requerimento para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) com o objetivo de apurar irregularidades no financiamento da campanha eleitoral do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2022. Segundo o documento, a CPI teria duração de 120 dias e seria composta por nove deputados.
O texto aponta a necessidade de investigação sobre a possível utilização de nome de pessoa falecida, doadores de fachada e empresas suspeitas de irregularidades na campanha. Entre os elementos citados está a doação atribuída a Tereza Akemi Nozaki Setoguchi, já falecida à época da campanha, o que poderia indicar possível falsidade ideológica e arrecadação irregular de recursos eleitorais.
O documento também menciona suspeitas de uso de "laranjas" entre doadores pessoas físicas, com contribuições atribuídas a indivíduos cujas condições financeiras seriam incompatíveis com os valores declarados. Outro ponto destacado é a contratação de empresas sob suspeita de irregularidades, incluindo a Inove Administração Gestão e Participações em Serviços Médicos e a Beacon Comunicações Ltda.
Segundo o requerimento, esta última teria concentrado mais de 65% dos gastos da campanha, totalizando R$ 24,3 milhões. O texto também afirma que o montante total sob suspeita chega a R$ 25,2 milhões, o que corresponderia a cerca de 67,5% das despesas da campanha, financiadas majoritariamente por recursos públicos do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário.
O requerimento cita ainda possíveis enquadramentos legais, incluindo crimes previstos na legislação eleitoral, como captação e gasto ilícito de recursos, falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro, além de hipótese de abuso de poder econômico.
A justificativa apresentada pelo parlamentar afirma que a Assembleia Legislativa tem o dever de investigar o caso diante da gravidade das denúncias e do impacto sobre a legitimidade do processo eleitoral e o uso de recursos públicos. A iniciativa tem como base denúncias do Ministério Público Eleitoral e reportagem do site ICL Notícias.


