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Haddad critica Tarcísio e diz que São Paulo vive “alta aprovação e baixo desempenho”

Pré-candidato defendeu cooperação federal na segurança, criticou privatização da Sabesp e afirmou que estado “não está melhor” do que há quatro anos

Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad (Foto: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP | Marcelo Camargo/Agência Brasil)

247 – O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad afirmou nesta quarta-feira (6) que São Paulo vive uma contradição entre a popularidade do governador Tarcísio de Freitas e a piora de indicadores em áreas como economia, segurança, saúde e saneamento. Em entrevista exclusiva ao programa TMC 360, da Transamérica, Haddad disse que decidiu disputar o governo paulista após ser alertado pelo presidente Lula sobre a situação do estado.

"O Lula me chamou atenção. Eu próprio estava com a cabeça tão voltada para o país que não estava com a cabeça aqui. Ele falou: ‘Você não está entendendo o que está acontecendo em São Paulo. Nós estamos com problema em São Paulo e é um governo com alta aprovação e baixo desempenho’", afirmou.

Segundo Haddad, São Paulo recebeu apoio expressivo do governo federal, renegociou sua dívida e contou com investimentos federais em obras e programas, mas ainda assim apresentou resultados fracos.

"A economia de São Paulo cresceu 0,5% o ano passado. Nós crescemos 2,3%. E nós achamos que cresceu pouco, ele cresceu 0,5%", disse.

Críticas à Sabesp e aos serviços públicos

Haddad criticou a privatização da Sabesp e afirmou que o serviço ficou pior e mais caro.

"O governador vendeu a Sabesp, vendeu barato, mas fez caixa com a venda da Sabesp. E com tudo isso, com toda a ajuda federal e com as privatizações, ele está numa situação financeira pior do que aquela que herdou do governo anterior", declarou.

Para o ex-ministro, a deterioração fiscal tem impacto direto nos serviços públicos.

"Nós estamos com serviço de saneamento pior e mais caro com a privatização da Sabesp", afirmou.

Ele também criticou a área da saúde, dizendo que prefeitos não estariam recebendo recursos suficientes para sustentar postos e hospitais municipais.

Segurança pública no centro da disputa

Haddad afirmou que a segurança pública está entre as maiores preocupações dos paulistas e criticou a posição de Tarcísio contra a PEC da Segurança Pública.

"A segurança está no topo das preocupações do povo paulista", disse.

Para ele, o combate ao crime organizado exige cooperação entre União, estados e municípios.

"Não existe chance da gente combater o crime organizado desorganizados. Não tem chance", afirmou.

Haddad citou a Operação Carbono Oculto como exemplo de articulação entre Receita Federal, Polícia Federal, Ministério Público e órgãos estaduais.

"Se eu for eleito governador, no primeiro dia eu vou estar no Congresso Nacional apoiando uma PEC que faça da cooperação a regra", declarou.

Disputa em São Paulo

Questionado se sua candidatura seria um “sacrifício” em nome de Lula ou do PT, Haddad rejeitou a ideia.
"Isso não é sacrifício para mim, porque eu gosto de São Paulo. Nasci em São Paulo, moro em São Paulo, fui prefeito da capital", afirmou.

Ele lembrou que teve 45% dos votos no segundo turno de 2022 e disse que pretende usar os próximos meses para apresentar um diagnóstico sobre o estado.

"A minha pergunta é: o estado está melhor hoje do que estava quatro anos atrás? A resposta é não. Não está", disse.

Chapa ainda indefinida

Haddad também falou sobre a composição da chapa. Citou Márcio França, Simone Tebet, Marina Silva e Teca Vendramini como nomes com quem dialoga, mas afirmou que ainda não há decisão.

"Não está decidido ainda", disse.

Ao encerrar a entrevista, Haddad afirmou que pretende conduzir a campanha com foco em informação e diagnóstico.

"Vamos olhar São Paulo objetivamente e vamos nos perguntar se na segurança, na saúde, na educação, na infraestrutura, nas finanças, nós estamos indo bem ou não estamos indo bem", afirmou.

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