Tebet: Tarcísio tem telhado de vidro e Haddad pode vencer
Pré-candidata ao Senado por São Paulo diz que disputa contra Tarcísio será difícil, mas possível, e vê Haddad animado para 2026
247 - A ex-ministra Simone Tebet, pré-candidata ao Senado pelo estado de São Paulo, afirmou que Tarcísio de Freitas “tem telhado de vidro” e que Fernando Haddad pode vencer a disputa pelo governo paulista em 2026, embora reconheça que a eleição estadual será mais difícil do que a reeleição do presidente Lula; as informações são da TV 247.
Em entrevista ao Bom Dia 247, da TV 247, Tebet disse que o campo governista precisa olhar para São Paulo com realismo. Para ela, Tarcísio não deve ser tratado como um adversário imbatível, mas a candidatura de Haddad exigirá organização, presença nas ruas, confronto de dados e capacidade de expor as fragilidades do atual governo estadual.
“Nós temos que ser realistas e não nos enganarmos. A reeleição do presidente Lula é mais fácil do que a eleição do ex-ministro, do meu querido amigo Fernando Haddad”, afirmou Tebet.
A pré-candidata ao Senado por São Paulo relatou ter conversado recentemente com Haddad sobre o cenário eleitoral no estado. Segundo ela, o ex-ministro está ciente da dimensão da disputa e já se movimenta, dentro dos limites legais, para preparar a campanha.
“Eu estive com ele no início da semana passada, no meio da semana passada, e nós conversamos muito sobre isso. Primeiro, Tarcísio não é imbatível. Tem telhado de vidro”, declarou.
Tebet afirmou que a segurança pública deverá ser um dos pontos centrais do embate contra o governador. Na avaliação dela, a gestão Tarcísio sustenta uma imagem de eficiência que precisará ser confrontada com os dados sobre violência no estado.
“Nós vamos falar o que foi a falácia da segurança pública. Diminuiu um pouquinho roubo e furto de celular, etc., mas nos últimos anos morreu mais gente em São Paulo do que na Síria, que está em guerra civil há quanto tempo”, disse.
Para Tebet, o debate eleitoral permitirá questionar a ideia de competência atribuída ao governo paulista. Ela afirmou que a campanha deverá mostrar os limites dessa narrativa e apresentar uma comparação entre projetos.
“Nós vamos mostrar que há muita falácia em cima dessa competência, dita competência, do governo. Então, não é uma eleição fácil, mas é uma eleição possível”, afirmou.
A ex-ministra disse ver Haddad motivado para enfrentar a disputa. Segundo ela, o ex-ministro já organiza sua equipe e atua na preparação política e digital da candidatura.
“Eu vejo hoje um Haddad animado. Ele sabe da responsabilidade que tem, está com equipe montada e, dentro do que permite o processo eleitoral, já está fazendo o dever de casa, já acionando e aquecendo as suas redes sociais”, declarou.
Tebet também afirmou que sua própria movimentação em São Paulo tem sido recebida com interesse. Segundo ela, a população começa a demonstrar mais curiosidade sobre o processo eleitoral, sobre a composição das chapas e sobre os nomes que disputarão cargos majoritários no estado.
“Eu estou fazendo a mesma coisa. Tive uma surpresa muito grata de ver o reconhecimento também nas redes. Um vídeo que postei, fazendo uma crítica muito pesada e muito firme contra aquele assessor do governo americano em relação a todas as mulheres brasileiras, porque é inadmissível, bateu mais de cinco milhões de visualizações”, disse.
A pré-candidata ao Senado afirmou que, nas ruas, ainda não percebe um eleitorado com votos consolidados, mas identifica um ambiente de atenção crescente à política. Para ela, esse interesse abre espaço para que o campo governista apresente seus argumentos e dispute a opinião pública em São Paulo.
“Vejo a população começando a querer entender de política. Quando me abordam na rua, e as pessoas me reconhecem muito aqui em São Paulo, elas perguntam: vai ser candidata a quê? Quem é que vai para a chapa? Começa a haver um interesse”, afirmou.
“De forma objetiva, eu vejo mais uma curiosidade nesse momento com o processo eleitoral do que qualquer outro sentimento de cravar voto, dizer voto, não voto. Isso é muito bom”, acrescentou.
Tebet também relacionou a disputa pelo governo paulista à necessidade de eleger uma bancada capaz de sustentar projetos no Congresso Nacional. Segundo ela, o eleitorado tende a perceber a importância das vagas no Senado e na Câmara dos Deputados, especialmente diante de temas que envolvem direitos, Supremo Tribunal Federal e políticas estratégicas para o país.
“Pela primeira vez, eu estou vendo que há um interesse, para o bem ou para o mal, e a gente vai trabalhar para que seja para o bem, com as vagas no Congresso Nacional”, afirmou.
“Eu acho que vai haver uma percepção até lá da importância de se eleger bons parlamentares, tanto no Senado quanto na Câmara, porque ali serão questões decisivas que serão discutidas”, disse.
A ex-ministra afirmou estar animada para ir às ruas em São Paulo e defender o projeto político ligado à reeleição de Lula. Ela disse que o campo governista pode comparar os resultados dos governos e apresentar uma agenda voltada à população.
“Vai ser um bom embate. Eu estou muito animada para ir para as ruas, porque a gente pode ir com a cabeça erguida. A gente pode ir dizendo que tem um presidente que olha no olho, um presidente que é humano, um presidente que se importa com as pessoas”, declarou.
Na avaliação de Tebet, a disputa em São Paulo será decisiva para 2026 e exigirá articulação entre a campanha de Haddad ao governo, a chapa ao Senado e o projeto nacional de Lula. Para a pré-candidata, Tarcísio parte de uma posição competitiva, mas terá de responder pelas contradições de sua gestão, sobretudo na segurança pública.


