Dono de adega é preso em São Paulo após morte de adolescente venezuelana por suspeita de metanol
Polícia apreende bebidas, investiga intoxicação fatal e pede prisão preventiva do responsável pelo estabelecimento na zona leste
247 - O dono de uma adega localizada na zona leste de São Paulo foi preso após a morte de uma adolescente venezuelana de 15 anos, que teria ingerido bebida alcoólica com suspeita de contaminação por metanol comprada no estabelecimento. O caso é investigado pela Polícia Civil do Estado de São Paulo (PCESP) e é tratado, inicialmente, como morte suspeita.
As informações foram divulgadas pela CNN Brasil, com apuração de Julia Farias, Rafael Saldanha e Bruna Lopes, e indicam que a prisão ocorreu na tarde de segunda-feira (5), no bairro Cidade Tiradentes. Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), o proprietário da adega foi detido por ligação clandestina de energia elétrica e por armazenamento irregular de fogos de artifício.
Durante a ação policial, agentes apreenderam diversas bebidas destiladas no local, incluindo gin, vodca, uísque e rum. Além dos produtos alcoólicos, também foram recolhidas 17 caixas contendo fogos de artifício, armazenados de forma irregular no estabelecimento.
A SSP-SP informou ainda que solicitou à Justiça a conversão da prisão em preventiva. As investigações seguem em andamento para apurar se as bebidas comercializadas continham metanol e se há relação direta entre os produtos vendidos na adega e a morte da adolescente.
Morte após ingestão de bebida alcoólica
A vítima, identificada como Sofia Del Valle Torrealba Ramos, passou mal após ingerir bebida alcoólica comprada na adega situada na Rua Alfonso Asturaro, também em Cidade Tiradentes. Ela retornou para casa na manhã do dia 1º de janeiro, após sair para comemorar o Ano Novo, e começou a apresentar sintomas graves horas depois.
Sofia foi internada em uma unidade de saúde da região, mas não resistiu e morreu no sábado (3), dois dias após dar entrada no hospital. De acordo com a apuração policial, a adolescente havia saído durante a madrugada acompanhada de amigos e de uma prima de 13 anos.
As investigações apontam que as duas menores compraram gin na adega e consumiram a bebida junto com outros jovens. Após a compra, o grupo seguiu para a casa de um amigo, onde estavam outros adultos, incluindo uma mulher conhecida da adolescente.
No local, segundo o registro policial, uma das pessoas presentes portava um recipiente branco com uma substância não identificada e teria oferecido o conteúdo à prima de Sofia, que recusou. Até o momento, não há confirmação de que Sofia tenha ingerido essa substância.
Investigação e suspeita de intoxicação por metanol
De forma preliminar, a causa da morte foi apontada como possível intoxicação por metanol, associada a disfunção renal e acidose metabólica. O metanol é uma substância altamente tóxica, cuja ingestão pode causar danos graves ao organismo e levar à morte.
Diante da ausência de uma causa natural evidente e da suspeita de ingestão de substância externa, a Polícia Civil classificou o caso, inicialmente, como morte suspeita. Exames periciais seguem sendo realizados nas bebidas apreendidas para confirmar a presença de metanol ou de outras substâncias proibidas.
O caso ocorre em meio a investigações semelhantes em outros estados, como a Bahia, onde autoridades também apuram casos suspeitos de intoxicação por metanol, o que acendeu um alerta nacional sobre a comercialização irregular de bebidas alcoólicas.
A polícia não descarta novas prisões e afirma que continuará apurando responsabilidades criminais relacionadas tanto à venda das bebidas quanto às circunstâncias que envolveram a morte da adolescente.



