Estudantes e sindicalistas de SP protestam contra governo Tarcísio
Ato percorreu a capital paulista com críticas à gestão estadual, incluindo privatizações, despejos e falta de políticas de permanência estudantil
247 - Estudantes das universidades estaduais paulistas e representantes de sindicatos e partidos políticos realizaram, nesta quarta-feira (20), uma marcha contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), na capital paulista. O ato teve início às 14h, com concentração no Largo da Batata, em Pinheiros, zona oeste da cidade, e seguiu em direção ao Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi. As informações são do Metrópoles.
Segundo a Polícia Militar, a Avenida Brigadeiro Faria Lima, no sentido da Avenida Rebouças, foi bloqueada pelos manifestantes durante a mobilização. A manifestação reuniu estudantes da USP, Unesp e Unicamp, além de sindicalistas e integrantes de movimentos políticos. De acordo com os organizadores, o protesto reuniu cerca de 5 mil pessoas.
Entre as principais pautas do ato estão críticas ao aumento da violência policial, às privatizações da Sabesp, dos transportes e das rodovias estaduais, além de denúncias sobre despejos e falta de políticas habitacionais. Os manifestantes também incluíram na pauta o recorde de casos de feminicídio no estado e os cortes de verbas para políticas públicas voltadas às mulheres.
Mobilização estudantil
O protesto integra a mobilização estudantil da USP, iniciada em 15 de abril. A paralisação começou em apoio ao movimento dos servidores da universidade e reivindica melhores condições de permanência estudantil. Mais de 105 cursos aderiram ao movimento em diferentes unidades da USP, incluindo os campi do Butantã, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), do Largo São Francisco, do Quadrilátero da Saúde e unidades do interior paulista.
Entre as reivindicações apresentadas pelos estudantes estão melhorias nos restaurantes universitários, aumento do auxílio permanência para o valor equivalente a um salário mínimo paulista, garantia de espaços estudantis e oposição a processos de privatização dentro da universidade.
Os estudantes também questionam diferenças nos reajustes destinados a docentes, servidores e alunos. Uma das críticas envolve a aprovação de uma gratificação de R$ 4,5 mil para professores que desenvolverem projetos considerados estratégicos pela universidade.
Segundo informações divulgadas na mobilização, a bonificação deve custar R$ 239 milhões anuais ao orçamento da USP e beneficiará apenas docentes, enquanto estudantes e funcionários reivindicam melhorias nas condições de permanência e trabalho.
Declarações de Tarcísio
No dia 5 de maio, Tarcísio de Freitas criticou a mobilização dos estudantes da USP e afirmou que a paralisação "não entra na minha cabeça". Segundo o governador, o movimento possui "cunho político" e representa uma "perda de oportunidade" para os alunos.
"Eu sei que um dia eu vou estar no mercado de trabalho e o mercado vai cobrar. Então, eu quero o máximo de ferramenta. Para mim, não entra na minha cabeça a greve dos estudantes", declarou o governador durante agenda no Palácio dos Bandeirantes.
Na ocasião, Tarcísio também afirmou que as universidades possuem autonomia para administrar os próprios recursos financeiros. "Tem uma questão da autonomia universitária. Então, a gente não entra nas questões de gestão. A universidade tem autonomia para fazer a distribuição e a alocação de recursos. Seu orçamento tem sido assim ao longo do tempo e eu acredito que esse é o modelo que funciona", disse.
Protestos recentes
No dia 13 de maio, estudantes das três universidades estaduais paulistas já haviam realizado outro protesto na Avenida Paulista. Segundo os organizadores, cerca de 2 mil pessoas participaram da mobilização. O ato contou com a presença da deputada federal Sâmia Bomfim e dos deputados estaduais Eduardo Suplicy, Guilherme Cortez, Paula Nunes e Ediane Maria.
Os manifestantes cobraram respostas da Reitoria da USP sobre auxílio permanência estudantil, condições dos restaurantes universitários e criticaram a ofensiva de desocupação realizada pela Polícia Militar na madrugada do dia 10 de maio.


