Mobilização estudantil em SP avança na Unicamp e na Unesp
Paralisações já atingem cerca de 30% dos cursos nas duas universidades estaduais paulistas; estudantes reivindicam mais recursos para a educação pública
247 - A mobilização estudantil nas universidades estaduais paulistas ampliou seu alcance na Unicamp e na Unesp, com paralisações em dezenas de cursos e novas assembleias previstas para os próximos dias. Os estudantes reivindicam mais recursos para a educação pública, contratação de docentes e servidores e ampliação das políticas de permanência estudantil. As informações são do jornal Folha de São Paulo.
O movimento teve início na USP em abril e, nas últimas semanas, passou a mobilizar também alunos da Unesp e da Unicamp. Os estudantes cobram reajuste nos auxílios estudantis, melhorias nas moradias universitárias e ampliação da estrutura de assistência estudantil.
Na Unesp, seis campi estão em greve, somando 42 cursos paralisados. A universidade possui 136 carreiras de graduação, o que representa aproximadamente 30% das atividades afetadas. O Instituto de Artes, na capital paulista, permanece ocupado por estudantes.
Na terça-feira (12), uma assembleia realizada no campus de Araraquara reuniu mais de mil participantes. Segundo os dados divulgados, 833 estudantes votaram pela continuidade da greve, enquanto 72 se posicionaram contra e 50 se abstiveram.
Na Unicamp, o campus de Limeira está completamente paralisado. As faculdades de Ciências Aplicadas e de Tecnologia, que concentram 12 cursos ligados às áreas de engenharia, gestão, saúde e tecnologia, aderiram ao movimento.
Em Campinas, também interromperam as atividades cursos do Instituto de Economia e do Instituto de Artes, além das graduações de fonoaudiologia, arquitetura e urbanismo e engenharia mecânica. A universidade possui 65 cursos de graduação, dos quais 21 estão em greve, equivalente a 32% do total.
Movimento ganhou força após ofensiva policial na USP
A mobilização começou na USP em 14 de abril, inicialmente em apoio à greve dos servidores técnico-administrativos. Os trabalhadores protestavam contra uma gratificação mensal de R$ 4.500 destinada aos docentes sem benefício equivalente para outras categorias.
Mesmo após o encerramento da paralisação dos servidores, os estudantes mantiveram a greve. Entre as reivindicações está o aumento do auxílio integral do Programa de Apoio à Formação e Permanência Estudantil (Papfe), atualmente em R$ 885, para cerca de R$ 1.804, valor equivalente ao salário mínimo paulista.
A tensão aumentou após estudantes ocuparem o prédio da administração da USP. No domingo (10), a Polícia Militar realizou a retirada dos manifestantes durante a madrugada. Segundo o relato publicado pela Folha, cerca de 50 agentes participaram da ofensiva, que terminou com cinco estudantes hospitalizados e quatro detidos.
Após a ação policial, a reitoria da USP anunciou a criação de uma comissão para retomar as negociações com os estudantes. Alunos das três universidades estaduais paulistas convocaram uma marcha para a próxima quarta-feira (20), em direção ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo.
O que dizem as reitorias
Em nota, a reitoria da Unesp informou que a Coordenadoria de Permanência Estudantil atendeu 7.746 alunos de graduação em 2025 com algum tipo de auxílio, número que corresponde a mais de 20% dos matriculados.
A universidade afirmou ainda que o orçamento destinado à permanência estudantil em 2026 será de R$ 110,7 milhões. Segundo a gestão, 17 unidades já contam com restaurante universitário e outra unidade deve inaugurar o serviço ainda neste ano.
A reitoria reconheceu, porém, o aumento da demanda social. "O financiamento público das universidades estaduais paulistas tem de ser prioridade para todos que reconhecem a liderança de São Paulo na pesquisa científica e tecnológica nacional", afirmou a instituição.
Já a reitoria da Unicamp declarou que respeita "os princípios fundamentais da democracia e do debate institucional" e informou que seguirá empenhada nas negociações com os estudantes.



