Freixo: “Hoje a PF está na mira de Castro e falta pouco para ele ser preso”
Declaração ocorre após operação da Polícia Federal contra Cláudio Castro no caso Refit, com buscas no Rio, em SP e no DF
247- Marcelo Freixo afirmou nesta sexta-feira (15) que o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) está próximo de ser preso, após se tornar alvo de uma operação da Polícia Federal no âmbito das investigações relacionadas ao caso Refit. A declaração ocorre em meio ao avanço das apurações sobre supostos benefícios concedidos à antiga refinaria de Manguinhos durante a gestão de Castro.
Pela manhã, agentes da Polícia Federal cumpriram mandados de busca e apreensão na residência de Cláudio Castro, localizada em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. A operação também teve como alvo o empresário Ricardo Magro, dono da Refit, grupo que controla a antiga refinaria de Manguinhos.
Em reação à operação, Freixo fez duras críticas ao ex-governador e associou a ofensiva da PF a um ciclo histórico de crises políticas no comando do estado. “Hoje a PF está na mira de Castro e falta pouco para ele ser preso”, afirmou.
Na sequência, Freixo ampliou o tom das críticas e disse que o Rio de Janeiro precisa romper com práticas políticas que, segundo ele, aproximaram sucessivos governos de interesses criminosos. “Claudio Castro está na mira da PF. Falta pouco pra ele completar o bingo dos ex-governadores do estado e ser preso”, declarou.
Freixo também afirmou que o estado não pode continuar submetido ao mesmo modelo de poder. “O Rio não merece mais ser governado por esse bando. Vamos virar essa página! hoje o Rio é comandando pelo crime organizado e devemos encerrar essa prática. Todo governador do rio é afastado e preso, e falta pouco para ser o destino de Castro, vamos encerrar esse ciclo”, disse.
A ordem para as buscas foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo fontes da Polícia Federal, a investigação está ligada à apuração sobre supostos benefícios concedidos à Refit durante a gestão de Cláudio Castro no governo fluminense.
De acordo com as investigações, a antiga refinaria de Manguinhos recebeu, em 2023, um incentivo fiscal do então governo estadual para ampliar sua atuação no mercado de óleo diesel. O benefício passou a ser analisado no contexto das apurações envolvendo a Refit e possíveis irregularidades tributárias.
Ao todo, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal. A Justiça também determinou a inclusão de um dos investigados na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo usado para localizar foragidos internacionais.
O STF autorizou ainda o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros ligados aos investigados. A Corte também determinou a suspensão das atividades econômicas das empresas envolvidas no esquema apurado pela Polícia Federal.
A operação contou com apoio técnico da Receita Federal e amplia a pressão sobre empresários e aliados políticos ligados ao setor de combustíveis no Rio de Janeiro. A Refit, antiga refinaria de Manguinhos, já vinha sendo alvo de investigações relacionadas a possíveis irregularidades tributárias e ao funcionamento do mercado de combustíveis.
Cláudio Castro articula uma candidatura ao Senado nas eleições de outubro e passa a enfrentar novo desgaste político com o avanço das investigações federais. O caso também reforça a instabilidade institucional no Rio de Janeiro, estado marcado nos últimos anos por sucessivas crises envolvendo ex-governadores e autoridades públicas.
Atualmente, o governo do estado está sob comando interino do presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, em razão da vacância dos cargos de governador e vice-governador. O Supremo ainda não concluiu o julgamento que decidirá se o próximo chefe do Executivo fluminense será escolhido por eleição direta ou indireta.
A fala de Freixo adiciona peso político à operação e recoloca no centro do debate a relação entre poder público, incentivos fiscais e grupos econômicos no setor de combustíveis. As investigações seguem sob responsabilidade da Polícia Federal, com supervisão do Supremo Tribunal Federal.



