Glauber Braga pede intervenção federal no Rioprevidência
O pedido ocorre em meio à Operação Barco de Papel, que apura suspeitas de irregularidades na compra de letras financeiras emitidas pelo Banco Master
247 - O deputado federal Glauber Braga (Psol-RJ) solicitou uma intervenção federal no Rioprevidência, fundo responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de servidores estaduais do Rio de Janeiro. O pedido ocorre em meio às investigações da Operação Barco de Papel, que apura suspeitas de irregularidades na compra de letras financeiras emitidas pelo Banco Master.
De acordo com informações divulgadas na reportagem original, a Polícia Federal aponta que o Rioprevidência investiu cerca de R$ 970 milhões no Banco Master entre novembro de 2023 e julho de 2024. A instituição era controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro e acabou sendo liquidada pelo Banco Central no ano passado.
Deputado cobra ação federal e responsabilização
Ao comentar o caso, Glauber Braga afirmou que a situação exige uma resposta imediata do governo federal, com o objetivo de garantir a proteção dos beneficiários do sistema previdenciário estadual.
“Mais de R$ 400 mil jogados pela janela, ex-presidente da RioPrevidência preso. Tem que ter uma intervenção federal no RioPrevidência que garanta os direitos dos aposentados e que responsabilize aquelas que tocaram este crime”, declarou o parlamentar.
Ao citar o valor, o deputado fez referência a uma mala com R$ 429 mil que foi arremessada do 30º andar de um prédio no município de Balneário Camboriú, em Santa Catarina. O arremesso ocorreu durante uma ação da PF com o objetivo de apurar irregularidades supostamente cometidas pelo Rioprevidência.
A fala foi feita no contexto das denúncias envolvendo a aplicação de recursos do fundo em títulos ligados ao Banco Master, operação que passou a ser questionada após o avanço das investigações policiais.
Investimento de quase R$ 1 bilhão entrou na mira da PF
De acordo com a Polícia Federal, o RioPrevidência teria direcionado aproximadamente R$ 970 milhões para letras financeiras emitidas pelo Banco Master ao longo de um período de oito meses, entre novembro de 2023 e julho de 2024.
As letras financeiras são títulos de renda fixa usados por instituições financeiras para captar recursos no mercado. No entanto, o investimento do fundo previdenciário passou a ser alvo de suspeitas porque o Banco Master é investigado por envolvimento em um suposto esquema fraudulento de grandes proporções.
Banco Master é citado em esquema bilionário
A operação financeira é considerada suspeita porque o Banco Master teria participado de um esquema bilionário, envolvendo a emissão de títulos sem valor real e a manipulação de dados contábeis para inflar artificialmente o balanço da instituição.
O caso reforçou a preocupação em torno da destinação dos recursos do RioPrevidência, especialmente diante do impacto potencial sobre o pagamento de aposentadorias e pensões no estado.
Rioprevidência nega irregularidades
Apesar das suspeitas levantadas no âmbito da investigação federal, o RioPrevidência afirma que não houve irregularidades nas operações realizadas. O órgão é responsável pela administração e pagamento de benefícios previdenciários de servidores estaduais do Rio de Janeiro.
A instituição, no entanto, segue citada no contexto da Operação Barco de Papel, que busca esclarecer os detalhes da compra dos títulos e eventual responsabilização dos envolvidos.
Banco Central liquidou instituição em novembro
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em 18 de novembro do ano passado. Segundo o BC, a medida foi tomada em razão de uma grave crise de liquidez, ou seja, incapacidade de cumprir obrigações financeiras imediatas, além de violações consideradas graves às normas do sistema financeiro nacional.
Com o avanço das apurações e o pedido de intervenção feito por Glauber Braga, o caso amplia a pressão política sobre os responsáveis pela gestão do RioPrevidência e intensifica o debate sobre a segurança dos recursos destinados aos aposentados e pensionistas do estado.


