"Há algo de podre na polícia de SP", aponta Estadão, em dura crítica ao governo Tarcísio
Editorial destaca suspeitas de infiltração do PCC na PM paulista e questiona versão oficial sobre troca de comando
247 - A troca no comando da Polícia Militar de São Paulo, em meio a suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC), motivou duras críticas ao governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e levantou questionamentos sobre a integridade da corporação. Em editorial, o jornal O Estado de São Paulo aponta que há indícios graves de vazamento de informações e omissão de autoridades, o que comprometeria a confiança pública na instituição.
No texto, o Estadão afirma que a saída do coronel José Augusto Coutinho e a ascensão da coronel Glauce Anselmo Cavalli não podem ser explicadas apenas por “motivos pessoais”, como sustentado oficialmente. Para o jornal, a mudança foi motivada por suspeitas de prevaricação do ex-comandante diante de possíveis ligações entre policiais da Rota — unidade de elite da PM — e o PCC.
O editorial cita depoimento sigiloso do promotor Lincoln Gakiya, considerado uma referência no combate ao crime organizado, que descreveu à Corregedoria da PM um cenário alarmante. Segundo o jornal, há indícios de que policiais teriam repassado informações estratégicas à facção criminosa em troca de milhões de reais, com possível tolerância de superiores hierárquicos.
Entre os episódios destacados, está a gravação de uma reunião com um delator, cujo conteúdo teria sido vendido a integrantes do PCC por R$ 5 milhões. Para o Estadão, caso confirmados, os fatos representam uma “quebra intolerável da confiança pública” na cúpula da polícia ostensiva paulista.
O jornal sustenta que, ainda que não haja comprovação direta de envolvimento de Coutinho nos crimes, a simples hipótese de prevaricação já tornaria sua permanência insustentável. O editorial afirma que o ex-comandante teria sido informado sobre os vazamentos e tido acesso a áudios que embasam as denúncias, sem que esteja claro quais providências foram tomadas.
O texto também menciona denúncias sobre a existência de um possível “núcleo” dentro da PM que atuaria como intermediário entre agentes da corporação e o crime organizado. Segundo o editorial, há relatos de pagamentos ilícitos, proteção a membros do PCC, execução de desafetos e circulação de informações privilegiadas.
Para o Estadão, a substituição no comando da PM e o afastamento de oficiais ligados à antiga gestão representam uma medida necessária de depuração. No entanto, o jornal ressalta que mudanças administrativas não são suficientes sem investigações rigorosas e punição exemplar dos envolvidos.
Ao concluir, o editorial enfatiza que a reputação de excelência da Polícia Militar de São Paulo não pode ser comprometida por práticas criminosas e defende que a integridade dos agentes e o respeito à legalidade são fundamentais para a legitimidade das instituições de segurança pública.


