Haddad critica Tarcísio e diz que crime se infiltrou no comando da PM
Ex-ministro questiona critérios na segurança pública após investigação sobre coronel e alerta para avanço do crime organizado em São Paulo
247 - O ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, criticou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, pela nomeação de José Augusto Coutinho ao comando da Polícia Militar no estado. Investigações apontam que Coutinho atuou para proteger policiais acusados de omissão com a organização criminosa PCC,
Na gravação publicada em suas redes sociais, Haddad detalhou sua avaliação sobre o caso e questionou a atuação do governo estadual diante das denúncias. Ele afirmou: “Eu queria falar com vocês sobre um episódio recente na área da Segurança Pública. Escolher quem vai comandar a polícia é uma grande responsabilidade. E acho que você concorda que não basta olhar critérios técnicos apenas.”
O ex-ministro enfatizou a necessidade de avaliar o caráter dos indicados para cargos estratégicos. “É preciso conhecer bem o caráter de quem será nomeado. Porque se trata de um cargo de alta confiança. É no governador ou governadora que começa a cadeia de comando da Segurança Pública. Ele ou ela devem estar bem informados sobre tudo o que acontece”, disse.
Haddad também mencionou a postura do governador Tarcísio de Freitas diante do pedido de exoneração do comandante da Polícia Militar. “Talvez por isso, Tarcísio tentou negar que o pedido de exoneração feito pelo comandante da PM, Coronel Coutinho, tenha sido por conta de investigações envolvendo o próprio Coronel e o crime organizado. E até o defendeu.”
Ao comentar as investigações, Haddad afirmou que novas informações vieram à tona. “Mas agora a Corregedoria e o Ministério Público revelaram que o Coronel Coutinho, escolhido por esta gestão, é investigado por acobertar policiais que faziam escolta armada ilegal para uma empresa de ônibus ligada ao PCC. E o pior é que um dos maiores promotores do país avisou que operações sigilosas estavam vazando para a facção. Entregou áudios, fez o alerta.”
Segundo ele, não houve resposta adequada por parte do comando. “E o Coronel não tomou providência. Pelo contrário, parece que passava a mão na cabeça dos criminosos. Aí você se pergunta, como alguém com esse perfil chegou ao posto mais alto da PM? Onde estava o critério do governador? Inclusive para proteger a corporação que é feita, em sua grande maioria, de mulheres e homens corajosos e honrados.”
O ex-ministro também criticou a política de investimentos na área de segurança. “Temos que cobrar a responsabilidade de quem governa. Afinal, é um governador que cortou pela metade os investimentos no combate ao crime organizado que hoje invade o interior de São Paulo. E que já disse de frente para a televisão que não está nem aí como a polícia age.”
Por fim, Haddad relacionou o cenário atual à falta de controle e fiscalização. “O resultado do não estou nem aí é esse. O crime organizado se infiltrando debaixo do nariz do comando. Falhar na escolha pode até acontecer. É por isso que você tem que vigiar de perto. Agora, tentar esconder da população o real motivo do afastamento do comandante, isso não é aceitável.”


