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Haddad critica “desprezo” de Tarcísio na educação

Pré-candidato usa fala sobre diploma universitário para comparar projetos educacionais em São Paulo

Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad (Foto: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP | Marcelo Camargo/Agência Brasil)

247 - O pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), divulgou um vídeo em que critica a política educacional do atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e defende o papel da educação pública. Na publicação, Haddad destaca uma declaração de Tarcísio sobre a menor relevância do diploma universitário e contrapõe com iniciativas implementadas durante gestões petistas na área educacional.

O vídeo foi publicado na quinta-feira (23) e reúne diferentes episódios para sustentar a crítica de Haddad. Entre eles, a fala de Tarcísio, erros de português cometidos por um policial militar em uma escola cívico-militar e um documentário com críticas a professores e à abordagem de temas como ideologia de gênero nas escolas.

Ao comentar os casos, Haddad afirmou: “O que esses três casos absurdos têm em comum? No fundo, vêm da mesma ideia: a de que educação não é prioridade, pelo menos quando eles tratam dos filhos dos trabalhadores. São cenas que me causam uma indignação profunda porque revelam desprezo por algo que pra mim é sagrado: a educação, o conhecimento e o ensino público”.

O ex-ministro da Educação também citou programas criados durante sua gestão no governo Lula, como o Programa Universidade para Todos (Prouni), o Proinfância e a expansão de Institutos e Universidades Federais. “Programas que eu tive orgulho de criar quando fui ministro da Educação do governo Lula”, declarou. Ele concluiu destacando a importância de políticas inclusivas: “Tudo isso não aconteceu por acaso. Aconteceu porque existe um projeto de país que sabe que o filho do trabalhador também pode ser médico, engenheiro, professora, advogada, historiador. E que acredita que, com mérito próprio e oportunidades justas, a nossa juventude pode sonhar cada vez mais alto”.

Um dos episódios mencionados no vídeo envolve uma escola cívico-militar em Caçapava, no interior paulista. No primeiro dia de funcionamento do modelo, um policial militar escreveu incorretamente as palavras “descansar” e “continência” na lousa, registrando “descançar” e “continêcia”. Os agentes atuavam como monitores e orientavam os estudantes sobre disciplina e valores cívicos.

Na ocasião, a Secretaria da Educação informou ao Metrópoles que o conteúdo pedagógico é responsabilidade dos professores e que os monitores passam por avaliações periódicas para verificar sua adaptação. O governo estadual defende o modelo cívico-militar como estratégia para melhorar a qualidade do ensino, embora especialistas apontem a ausência de evidências que comprovem impacto direto na aprendizagem.

Outro ponto destacado no debate é a declaração de Tarcísio de Freitas sobre o mercado de trabalho. Em evento realizado em novembro do ano passado, o governador afirmou: “Diploma cada vez tem menos relevância; a competência tem cada vez mais relevância. O mercado está cada vez mais interessado em saber o seguinte: quais são as suas habilidades e menos interessado em onde você se formou”.

Na mesma ocasião, Tarcísio ressaltou a expansão do ensino técnico na rede estadual como forma de preparar os estudantes para o mercado. A meta do governo é atingir 230 mil matrículas nessa modalidade até 2026, crescimento significativo em relação ao número atual. Ainda assim, o objetivo inicial de alcançar metade dos alunos do ensino médio no ensino técnico foi adiado para o longo prazo, segundo o secretário da Educação, Renato Feder.

De acordo com a Secretaria da Educação, a soma dos estudantes do ensino técnico da rede estadual com os matriculados nas Escolas Técnicas (Etecs) pode chegar a 321 mil jovens, o equivalente a cerca de 40% dos alunos do segundo e terceiro anos do ensino médio. O número de unidades com oferta de ensino profissionalizante também deve aumentar, passando de 1.813 para 2.212 escolas.

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