Levantamento aponta rejeição quase unânime à gestão da Educação em SP sob Tarcísio de Freitas
Consulta foi promovida pela APEOESP e contou com a participação de cerca de 22 mil pessoas
247 - Uma consulta realizada entre quinta-feira (17) e segunda-feira (21), com a participação de 22.335 pessoas, indicou ampla rejeição à gestão da educação no governo de Tarcísio de Freitas (Republicano), em São Paulo. O levantamento foi promovido pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP) e reuniu opiniões de professores, estudantes, funcionários, pais, mães e integrantes da sociedade.
Os dados apontam que 71,89% dos participantes atribuíram nota zero à condução da educação no estado. Considerando avaliações entre zero e cinco, o índice de desaprovação chega a 97,66%. Apenas 1,29% deram nota máxima.
Avaliação geral e percepção da gestão
Na avaliação geral, 94,84% classificaram a gestão como ruim ou péssima. Outros 2,99% consideraram ótima, boa ou regular, enquanto 0,43% afirmaram não ter opinião. A pesquisa também abordou o perfil da política educacional. Para 95,20% dos participantes, a condução é autoritária. Apenas 2,59% a consideram democrática e participativa. As condições de aprendizagem nas escolas também foram avaliadas. Para 81,75%, essas condições são péssimas. Outros 5,37% classificaram como regulares e 0,92% como ótimas.
A deputada estadual Professora Bebel (PT) comentou os resultados. "Os números mostram uma percepção muito clara da comunidade escolar sobre os rumos da educação no estado. Professores, estudantes e famílias estão apontando problemas concretos que impactam o cotidiano das escolas."
Valorização profissional e políticas educacionais
O levantamento também tratou da valorização dos profissionais da educação. Para 96,09%, não há reconhecimento dos trabalhadores. Apenas 2,59% entendem que existe valorização, enquanto 1,31% não souberam responder.
Sobre o uso de plataformas digitais, 80,74% avaliam impacto negativo na qualidade do ensino. Outros 5,11% consideram que há melhora no aprendizado, enquanto 12,42% veem essas ferramentas como indiferentes.
A militarização das escolas é rejeitada por 71,84% dos participantes, enquanto 20,55% se manifestam favoráveis. Já a privatização das escolas é rejeitada por 78,23%, contra 16,30% que concordam com a medida.
Impactos de programas e fechamento de classes
Outro ponto abordado foi o Programa de Ensino Integral e o fechamento de classes no período noturno. Para 92,17%, essas ações excluem estudantes que trabalham. Outros 5,35% consideram que não há exclusão, enquanto 2,48% não souberam opinar.
A deputada Professora Bebel também comentou esse cenário. "Quando a maioria expressiva avalia negativamente temas como valorização profissional, condições de ensino e inclusão, isso indica que é preciso abrir diálogo e rever medidas que não estão respondendo às necessidades da rede", disse.
Ela também mencionou a diversidade dos participantes da consulta. "Não se trata de uma opinião isolada, mas de uma avaliação construída por quem vive a escola no dia a dia. Esses dados precisam ser levados em consideração na formulação de políticas públicas."


