Lula pressiona Pacheco a disputar governo de Minas e busca palanque forte para 2026
Presidente tenta convencer senador a concorrer em outubro, mas Pacheco resiste e cita outros nomes para a sucessão estadual
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou as articulações para consolidar um palanque competitivo em Minas Gerais, considerado um dos estados mais estratégicos para a disputa nacional. Em reunião realizada na quarta-feira (11), em Brasília, Lula se encontrou com o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e voltou a defender que ele seja candidato ao Governo de Minas, movimento visto como central para fortalecer o campo governista no estado diante das eleições de 2026.
Apesar da insistência, Pacheco manteve a posição de resistência. O senador indicou que não pretende disputar o cargo, a menos que considere inevitável por ausência de alternativas viáveis no campo político alinhado ao presidente.
Pacheco sinaliza intenção de encerrar trajetória política
Na conversa, o senador reafirmou que planeja concluir sua carreira política e que só aceitaria entrar na disputa em um cenário sem outras opções competitivas. Na avaliação dele, porém, há nomes aptos a representar o grupo em Minas, o que reduziria a necessidade de sua candidatura.
Ainda assim, aliados admitem que a decisão permanece em processo de amadurecimento. O tema segue em debate interno, sobretudo diante da pressão do Planalto para garantir um nome de peso na corrida estadual.
Filiação ao União Brasil avança
Um dos entraves para uma eventual candidatura — a definição partidária — foi encaminhado com o acerto de filiação de Pacheco ao União Brasil. A articulação contou com a intermediação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), aliado próximo do mineiro.
A movimentação altera o equilíbrio político da legenda em âmbito nacional e estadual. O deputado federal Rodrigo de Castro, aliado de Pacheco, assumiu a presidência do diretório mineiro do partido com o objetivo de pavimentar a chegada do senador.
Alternativas discutidas para o governo mineiro
Mesmo insistindo na candidatura de Pacheco, Lula e o senador discutiram outros nomes para disputar o comando do estado. Entre os cotados estão:
- Alexandre Silveira (PSD), ministro de Minas e Energia
- Alexandre Kalil (PDT), ex-prefeito de Belo Horizonte
- Marília Campos (PT), prefeita de Contagem
- Gabriel Azevedo (MDB), ex-vereador de Belo Horizonte
- Sandra Goulart, reitora da UFMG
- Jarbas Soares, ex-procurador-geral de Justiça
- Walfrido dos Mares Guia, ex-ministro
O PT também avalia outras possibilidades diante da indefinição do cenário mineiro, considerado decisivo por concentrar o segundo maior colégio eleitoral do país.
O chamado “plano B” inclui ainda o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) e o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Tadeu Leite (MDB).
Mudanças no cenário estadual
A reorganização política em Minas ocorre em meio à transição no governo estadual. O vice-governador Mateus Simões (PSD) deve assumir o comando do estado em abril após a renúncia de Romeu Zema (Novo) e deverá disputar a reeleição. Simões é apontado como adversário de Pacheco.
Com a aproximação entre União Brasil e o grupo de Pacheco, a tendência é de afastamento da candidatura de Simões. A filiação do vice ao PSD foi determinante para que o senador deixasse o partido.
Zema, por sua vez, deve disputar o Palácio do Planalto com apoio de seu atual vice.
Composição de chapa e estratégia nacional
Nos bastidores, integrantes do PT avaliam a formação de uma chapa com Pacheco ao governo e Alexandre Kalil e Marília Campos na disputa ao Senado. A estratégia busca consolidar uma aliança robusta no estado e garantir base eleitoral sólida para Lula em 2026.
O presidente e seus aliados consideram que a próxima eleição presidencial tende a ser acirrada. Ter governadores competitivos nos maiores colégios eleitorais é visto como fundamental para manter e ampliar o desempenho obtido em 2022, quando Lula alcançou 50,2% dos votos válidos em Minas Gerais.
STF no pano de fundo político
O encontro entre Lula e Pacheco ocorreu no mesmo dia em que aumentou a pressão sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, relator do caso envolvendo o Banco Master, após a divulgação de mensagens que discutem pagamentos à empresa Maridt, da qual o magistrado é sócio.
O episódio gerou especulações sobre um eventual afastamento do ministro e a possibilidade de nova indicação ao STF pelo presidente da República. Nesse cenário, o nome de Pacheco passou a ser mencionado como alternativa.
Interlocutores do senador, contudo, afirmam que ele está concentrado nas eleições de outubro, consideradas prioridade no momento, enquanto os desdobramentos no Supremo seguem em paralelo.
Minas Gerais permanece no centro da estratégia política nacional, com definições ainda em aberto e forte movimentação nos bastidores.


