Senadores articulam impeachment de Toffoli e sugerem Rodrigo Pacheco para vaga no STF
Parlamentares buscam acordo com o Planalto para viabilizar afastamento do ministro em troca da nomeação do ex-presidente do Senado
247 – A crise em torno do ministro Dias Toffoli ganhou um novo e explosivo capítulo político. De acordo com informações de bastidores apuradas pelo repórter Renato Souza, setorista do Poder Judiciário em Brasília, senadores deram início a uma articulação para votar o impeachment do magistrado. A estratégia envolveria um acordo direto com o Palácio do Planalto: o apoio do governo ao afastamento de Toffoli em troca da indicação e rápida aprovação de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para ocupar a eventual cadeira vaga na Corte.
A sondagem ao Planalto ocorre em um momento de fragilidade para o ministro, que já enfrenta um aditamento ao pedido de impeachment protocolado pelos senadores Magno Malta (PL-ES), Eduardo Girão (Novo-CE) e Damares Alves (Republicanos-DF). O grupo alega crime de responsabilidade com base nas revelações do relatório da Polícia Federal e na relação patrimonial da família do ministro com o Banco Master.
A "moeda de troca" e o interesse de Pacheco
A articulação política tenta resolver dois problemas com uma única jogada. Para os senadores de oposição e parte do centrão, o impeachment de um ministro do STF seria uma resposta histórica ao que chamam de "excessos judiciais". Para o governo, a nomeação de Rodrigo Pacheco seria uma forma de pacificar a relação com o Legislativo, uma vez que Pacheco é visto como um nome de perfil conciliador e institucional.
Embora Pacheco tenha declarado publicamente no final de 2025 que a vaga no Supremo era uma "página virada", seu nome continua sendo o preferido da cúpula do Senado, liderada por Davi Alcolumbre (União-AP). A nomeação de Pacheco também destravaria a sabatina de Jorge Messias, indicado para a vaga aberta pela saída de Luís Roberto Barroso.
Reação no STF e o papel de Edson Fachin
No Supremo, a movimentação é vista com extrema cautela. Ministros da ala defensora de Toffoli acreditam que o governo Lula pode estar "lavando as mãos" e deixando o tribunal sozinho na linha de tiro para evitar o ônus político. O presidente da Corte, Edson Fachin, que detém o dossiê da PF, ainda não se manifestou sobre o encaminhamento da suspeição, mas a pressão do Senado pode acelerar uma saída institucional.
Toffoli, por sua vez, mantém a posição de que as acusações são meras "ilações" e que a Polícia Federal não tem legitimidade para questionar sua imparcialidade. No entanto, o avanço de um acordo político no Senado, onde o quórum para impeachment é de 54 votos (dois terços), retira o caso da esfera puramente jurídica e o joga no campo da sobrevivência política.


