Toffoli diz que PF não tem legitimidade para pedir sua suspeição
Ministro afirma que a iniciativa da Polícia Federal se baseia em 'ilações' e que 'a instituição não tem legitimidade para o pedido'
247 - O gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli emitiu uma nota nesta quarta-feira (11) para afirmar que pedidos de suspeição do magistrado nos processos sobre fraudes financeiras envolvendo o Banco Master são "ilações".
“O gabinete do Ministro Dias Toffoli esclarece que o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações. Juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145 do Código de Processo Civil. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo Ministro ao Presidente da Corte”, afirma o texto.
Mas, de acordo com o blog de Andréia Sadi, a PF fez o pedido de suspeição no material enviado ao STF. Segundo a reportagem, a PF citou um dispositivo da Lei Orgânica da Magistratura (Loman) que trata do procedimento a ser adotado quando surgem indícios de crime envolvendo magistrados no curso de investigações.
O dispositivo da Lomam foi citado após a PF ter encontrado conversas entre o ministro Dias Toffoli e o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Segundo a corporação, o esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master movimentou até R$ 17 bilhões.
Pedidos de suspeição chegaram a ser defendidos por analistas por causa de algumas notícias sobre a relação entre familiares do magistrado e pessoas que têm ou tinham ligação com executivos mencionados nas investigações sobre o Banco Master.
Em novembro de 2025, o banqueiro Daniel Vorcaro e outros acusados foram alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF para investigar a concessão de créditos falsos pela instituição bancária, incluindo a tentativa de compra da instituição financeira pelo Banco de Brasília (BRB), banco público ligado ao governo do Distrito Federal.
Entenda
Em dezembro de 2025, o ministro do STF Dias Toffoli viajou a Lima, no Peru, em um avião particular, para assistir à final da Libertadores, disputada entre Flamengo e Palmeiras. Foi o que mostrou a coluna de Lauro Jardim em 7 de dezembro. O trajeto ocorreu ao lado de um advogado que integra a defesa de um dos investigados no caso do Banco Master, Augusto Arruda Botelho.
O ministro se deslocou no jatinho privado do empresário Luiz Oswaldo Pastore, suplente de senador pelo MDB e proprietário do jatinho que levou o magistrado e o advogado Augusto Arruda Botelho, defensor de Luiz Antônio Bull, um dos alvos das investigações sobre fraudes financeiras.
Conforme reportagem da Folha de São Paulo, em 11 de janeiro, duas empresas ligadas a parentes de Toffoli tiveram como sócio um fundo de investimentos conectado à teia usada pelo Banco Master em fraudes investigadas por autoridades.


