Relatório da PF detalha ligações a Vorcaro, convites a festas e conversas sobre pagamentos envolvendo Toffoli
Documento de 200 páginas entregue ao STF aponta conexões entre o ministro e o dono do Master; magistrado nega irregularidades e ataca legitimidade da PF
247 – Um relatório da Polícia Federal (PF), classificado por interlocutores do Supremo Tribunal Federal (STF) como "nitroglicerina pura", detalha a proximidade entre o ministro Dias Toffoli e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, o documento de cerca de 200 páginas reúne registros de telefonemas, convites para eventos pessoais e diálogos sobre pagamentos ligados ao resort Tayayá, de propriedade da família do magistrado.
O dossiê foi entregue pessoalmente pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao presidente do STF, Edson Fachin. Embora não peça explicitamente a suspeição de Toffoli, o material elenca evidências encontradas no celular de Vorcaro que, na visão dos investigadores, tornariam inviável a permanência do ministro na relatoria do caso Master.
Sociedade em empresa familiar e repasses financeiros
De acordo com a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, Toffoli admitiu a pessoas próximas ter recebido dinheiro da Maridt, empresa que vendeu sua fatia no resort Tayayá a um fundo gerido por familiares de Vorcaro em 2021. Pela primeira vez, revelou-se que o ministro é sócio direto da companhia, ao lado dos irmãos José Carlos e José Eugênio.
O relatório da PF destaca que o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e suposto operador do banqueiro, era um interlocutor frequente sobre os negócios envolvendo o resort. Em sua defesa, Toffoli sustenta que os repasses são lucros societários legítimos:
"Todas as transferências de recursos, feitas ao longo de diversos anos, foram lícitas e declaradas à Receita Federal. Têm origem e destino rastreáveis."
Toffoli classifica relatório como "ilações"
Em nota oficial, o ministro Dias Toffoli reagiu com dureza ao material produzido pela Polícia Federal, questionando a autoridade da instituição para sugerir seu afastamento do caso:
"O relatório da PF trata de ilações. A corporação não tem legitimidade para pedir minha suspeição por não ser parte no processo. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo ministro ao presidente da Corte."
Decisões sob suspeita e tensão com a PF
O desgaste entre o ministro e a Polícia Federal foi acentuado por uma série de decisões consideradas atípicas por membros da Corte e da corporação:
- A "carona" no Peru: No mesmo dia em que decretou sigilo sobre as investigações do Master, Toffoli viajou ao Peru em um jatinho de um advogado ligado a um dos diretores do banco para assistir à final da Libertadores de 2025.
- Controle de provas: O ministro determinou que a custódia de todos os materiais apreendidos ficasse no STF, e não com a PF, além de restringir a perícia a apenas quatro agentes escolhidos por ele.
- Interrogatórios incomuns: Toffoli chegou a marcar uma acareação entre o CEO do Master e diretores do Banco Central para o dia 30 de dezembro, antes mesmo de ouvir os envolvidos individualmente.


