Toffoli admite ter recebido dinheiro de fundo de Vorcaro após venda de resort
Ministro do STF explica que valores são provenientes de sua cota societária em empresa familiar e afirma que todas as operações foram declaradas
247 – O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), esclareceu a interlocutores a origem dos repasses financeiros que recebeu da empresa Maridt, após a venda de uma participação no resort Tayayá para um fundo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro. De acordo com informações da colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo, o magistrado justificou que os valores recebidos em 2021 são decorrentes de sua condição de sócio da empresa, que pertence à sua família.
A manifestação ocorre após a Polícia Federal iniciar uma apuração sobre as transferências destinadas ao magistrado. Esta é a primeira ocasião em que Toffoli detalha publicamente sua ligação com o empreendimento e com os negócios de seus irmãos. O ministro explicou que a Maridt funciona como uma Sociedade Anônima (S.A.) de livro fechado, o que justifica a ausência de seu nome em registros públicos acessíveis a terceiros, onde aparecem apenas os nomes de seus dois irmãos na qualidade de administradores.
Rastreabilidade e declaração fiscal
Toffoli defendeu a transparência das movimentações e assegurou que não há irregularidades nos depósitos realizados ao longo do tempo. Segundo o magistrado, "todas as transferências de recursos, feitas ao longo de diversos anos, foram lícitas e declaradas à Receita Federal". Ele reforçou ainda que os valores "têm origem e destino rastreáveis".
A Maridt possuía 33% das ações do resort Tayayá. Em 2021, essa fatia foi vendida ao fundo Arleen, que integra a estrutura financeira controlada pelo Banco Master. O ministro pontuou que o negócio foi estritamente comercial, observando que o próprio fundo Arleen já alienou essas ações para terceiros com lucro, o que ratificaria a viabilidade econômica da operação na época.
Postura judicial frente às investigações
O ministro também buscou afastar qualquer narrativa de proximidade indevida com o banqueiro Daniel Vorcaro, ressaltando que, no período da transação, o empresário não era alvo de investigações. Além disso, Toffoli destacou que sua atuação no STF tem sido rigorosa quanto ao caso: ele afirmou que "todos os pedidos feitos pela Polícia Federal contra Vorcaro foram deferidos por ele", incluindo medidas de busca e apreensão relacionadas a supostas irregularidades na gestão do Banco Master.


