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Marina Silva reafirma apoio a Lula e Haddad e mantém plano ao Senado

Ex-ministra diz que fará campanha mesmo sem candidatura e defende frente ampla em São Paulo com foco em sustentabilidade e democracia

Marina Silva (Foto: Ueslei Marcelino/MMA)

247 - A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva afirmou que vai apoiar as candidaturas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Fernando Haddad (PT) nas eleições, independentemente de disputar ou não um cargo, ao mesmo tempo em que mantém sua disposição de concorrer ao Senado por São Paulo. Em entrevista à Folha de São Paulo, ela destacou que sua prioridade é contribuir para fortalecer uma frente ampla no estado, com ênfase em sustentabilidade, diversidade e combate às desigualdades.

Na conversa, Marina disse que não discutiu previamente sua decisão com o presidente Lula, mas indicou que o desfecho sobre sua candidatura dependerá de diálogo com o campo político aliado. Segundo a ex-ministra, sua intenção inicial permanece voltada à disputa por uma vaga no Senado, ao lado de nomes como Simone Tebet (PSB), enquanto Fernando Haddad deve concorrer novamente ao governo paulista.

“Não conversei com o presidente Lula [antes]. A minha decisão é aquela desde o início: estou disposta a ajudar no processo de manter o coeficiente civilizatório em São Paulo e no Brasil”, afirmou. Ela acrescentou que já dialogou com Haddad sobre a formação da chapa e ressaltou que tanto ela quanto o ex-governador Márcio França colocaram seus nomes à disposição para a segunda vaga ao Senado.

Marina enfatizou a necessidade de construção coletiva dentro do campo progressista. “A gente tem que estar aberto para construção coletiva, é isso que está sendo feito em São Paulo”, disse. Ao comentar a disputa interna, reconheceu a trajetória de França e defendeu equilíbrio na definição da candidatura. “É preciso ter um balanço nessa disputa”, declarou.

Ao justificar sua permanência na federação Rede-PSOL, a ex-ministra recorreu à metáfora ambiental para defender a diversidade política. “Defendo a ideia do bioma e do ecossistema: esse grande bioma da defesa da democracia não existe forte [...] se for homogêneo. Quanto mais diversificado de ecossistemas, mais ele é forte”, afirmou, citando a formação de uma frente ampla como fator determinante para a vitória de Lula em 2022.

Sobre a possibilidade de não disputar o Senado, Marina foi enfática ao reafirmar seu compromisso com a campanha petista. “Vou fazer a campanha de Haddad e de Lula sendo candidata ou não”, disse. Ela também afirmou que a definição sobre a vice na chapa de Haddad cabe exclusivamente ao próprio candidato: “[A vice] é uma coisa que ele tem que pensar e ter toda a liberdade para isso.”

No campo partidário, a ex-ministra enfrenta tensões internas na Rede Sustentabilidade, partido que fundou em 2013. A legenda vive um impasse após disputas internas e questionamentos judiciais sobre a última eleição partidária, vencida por Heloísa Helena. Em nota, o porta-voz da Rede, Paulo Lamac, classificou as críticas do grupo de Marina como “política destrutiva” e afirmou que o processo interno seguiu as regras do estatuto.

Apesar das divergências, Marina defendeu sua permanência na sigla e destacou a importância de manter a pluralidade dentro da federação. “Essa é uma casa que eu ajudei a construir”, afirmou. Segundo ela, as mudanças recentes no partido levaram ao enfraquecimento da estrutura e à saída de integrantes, mas reforçou que as diferenças políticas são naturais dentro do mesmo campo ideológico.

A ex-ministra também abordou temas estruturais, como os desafios ambientais e climáticos. Ela alertou para o risco de crise hídrica em São Paulo e defendeu a transição energética como prioridade global. “A guerra está denunciando que nós precisamos urgentemente de mapas do caminho para sair da dependência do uso de combustíveis fósseis”, afirmou.

Ao final, Marina destacou que decisões políticas não podem ignorar os impactos ambientais. “A realidade não muda porque as decisões políticas são tomadas contrárias a ela”, concluiu.

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