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Médico que matou colegas e atacou funcionários com ofensas racistas em Aracajú cometeu outro grave crime

Carlos Alberto Azevedo Silva Filho, de 44 anos, está preso por matar dois colegas de profissão a tiros em Barueri, na Grande São Paulo

O autor dos disparos, identificado como Carlos Alberto Azevedo Silva Filho, de 44 anos, foi preso em flagrante (Foto: Reprodução)

247 - O médico Carlos Alberto Azevedo Silva Filho, de 44 anos, preso por matar dois colegas de profissão a tiros em Barueri, na Grande São Paulo, já havia sido acusado anteriormente de episódios graves de violência doméstica. Entre eles, está o espancamento da própria sobrinha, que relatou ter sido agredida com chutes e socos na cabeça durante um encontro de família no litoral paulista.

As informações são do portal Metrópoles.De acordo com o relato da vítima, que tinha 26 anos à época e morava com o tio, as agressões aconteceram em maio de 2024, no Guarujá. O episódio teria começado quando ela tentou impedir Carlos Alberto, que estaria embriagado, de agredir o próprio filho. A jovem afirmou à polícia que o tio tinha problemas psiquiátricos e que os dois já haviam se desentendido anteriormente.

A ex-mulher do médico, que também estava presente no momento das agressões, confirmou à polícia que foi ameaçada de morte. Após o episódio, ela conseguiu na Justiça uma medida protetiva, que impedia Carlos Alberto de se aproximar ou manter contato com ela.

Em depoimento, o médico apresentou uma versão diferente dos fatos. Segundo ele, a reunião familiar tinha como objetivo mobiliar o apartamento do filho e a discussão teria começado “por motivos fúteis”. Ainda de acordo com sua narrativa, “no ápice da discussão”, a sobrinha teria arremessado uma garrafa em sua cabeça, provocando um corte, e ele teria apenas revidado.O caso acabou sendo arquivado a pedido do Ministério Público de São Paulo (MPSP). A decisão foi tomada porque os envolvidos não realizaram exame de corpo de delito para comprovar oficialmente as agressões, apesar de a sobrinha ter apresentado fotos dos hematomas à polícia.

“Da análise da prova colhida em sede policial, não é possível concluir, de forma suficientemente segura para o oferecimento de denúncia, como se deu a dinâmica dos fatos, porquanto ausentes elementos probatórios nesse sentido. Haja vista as versões controversas das partes envolvidas”, afirmou a promotora Juliana Montezuma Lacerda Haddad, em manifestação datada de 7 de novembro de 2024.

Duplo homicídio em restaurante
Carlos Alberto foi preso na noite de sexta-feira após matar a tiros os médicos Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, e Vinicius dos Santos Oliveira, de 35, em frente a um restaurante de luxo em Barueri. Antes do crime, houve uma discussão dentro do estabelecimento, que evoluiu para agressões físicas.Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que o médico chega ao local, cumprimenta os colegas e inicia a discussão. Em seguida, ele agride uma das vítimas com um tapa, sendo revidado com socos. Após deixar o restaurante, as vítimas caminham pelo estacionamento quando Carlos Alberto aparece por trás e dispara diversas vezes.

Segundo a polícia, guardas civis municipais haviam sido acionados antes dos tiros, após a informação de que havia um homem armado no local. Carlos Alberto foi revistado, nenhuma arma foi encontrada, e ele afirmou que iria embora. Pouco tempo depois, retornou armado e cometeu o crime. Testemunhas relataram que a arma teria sido entregue a ele por uma mulher.

Disputa profissional
Uma das linhas de investigação aponta que o conflito pode ter sido motivado por disputas contratuais. Carlos Alberto e Luís Roberto eram donos de empresas concorrentes de gestão hospitalar. “Eles disputavam esses contratos”, afirmou o delegado Andreas Schiffmann, responsável pelo caso, ao Metrópoles.

Vinicius dos Santos Oliveira, a segunda vítima, trabalhava para Luís Roberto e estava com ele no restaurante no momento da discussão.Após o crime, a empresa de Carlos Alberto, a Cirmed Serviços Médicos, divulgou nota afirmando que o episódio ocorreu em âmbito pessoal.

“A empresa esclarece que o ocorrido não corresponde aos valores e princípios da instituição. Os fatos pessoais e isolados do sócio não se confundem com suas atividades institucionais, assistenciais, operações, contratos ou rotinas internas”, declarou a Cirmed Brasil.

As investigações continuam para esclarecer todas as circunstâncias do duplo homicídio e apurar eventuais responsabilidades adicionais relacionadas ao histórico de violência do médico.

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