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Moraes determina prisão de filho de ex-prefeito do Rio por vazamento de dados

Marcelo Conde é acusado de liderar rede que vazou dados sigilosos de 1.819 contribuintes, incluindo ministros do STF e do TCU, após pagar R$ 4,5 mil

Alexandre de Moraes (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

247 - O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, decretou a prisão preventiva de Marcelo Paes Fernandez Conde, apontado como o mandante de uma estrutura criminosa especializada no acesso e vazamento de dados fiscais sigilosos de autoridades públicas. Segundo reportagem publicada nesta quarta-feira (1º) pelo jornal O Globo, fonte original desta matéria, Conde teria pago R$ 4,5 mil em dinheiro vivo por informações obtidas ilegalmente dos sistemas da Receita Federal e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A Operação Exfil, deflagrada pela Polícia Federal, cumpre mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Conde é filho do ex-prefeito do Rio de Janeiro e ex-vice-governador Luiz Paulo Conde, que faleceu em 2015, aos 80 anos, após enfrentar um câncer de próstata. De acordo com a Procuradoria-Geral da República, a rede investigada acessou ilegalmente dados de 1.819 contribuintes, entre eles pessoas vinculadas a ministros do STF e do Tribunal de Contas da União, deputados federais, ex-senadores, ex-governadores, dirigentes de agências reguladoras e empresários.

Os investigadores identificaram múltiplos acessos ilícitos aos sistemas do Fisco, com posterior extração e distribuição das informações obtidas. Entre os alvos da espionagem digital estavam integrantes do próprio STF, o procurador-geral da República Paulo Gonet e seus familiares, evidenciando o alcance e a ousadia da operação criminosa.

A Polícia Federal descreveu a organização como uma "cadeia de intermediação estruturada", composta por servidores públicos, funcionários terceirizados, despachantes e intermediários. A diversidade dos participantes sugere que o esquema contava com ramificações dentro da própria máquina pública, o que amplia a gravidade das investigações e a necessidade de identificar todos os envolvidos.

Ao autorizar a realização das buscas, Moraes destacou que as diligências eram indispensáveis para a "reconstrução das cadeias de eventos e identificação de outros possíveis envolvidos", sinalizando que as investigações ainda estão em curso e podem resultar em novas prisões ou indiciamentos à medida que a PF avança na apuração dos fatos.

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Marcelo Paes Fernendez Conde. Foto: Reprodução/Redes Sociais

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