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Mortes de pedestres em SP sobem 10% em 2025: média é superior a uma vítima por dia

Capital paulista registrou 410 óbitos por atropelamento em 2025, segundo dados oficiais

Pedestres (Foto: Pixabay)

247 - As mortes de pedestres no trânsito da cidade de São Paulo (SP) cresceram 10,2% em 2025 e alcançaram o maior patamar dos últimos dez anos. Ao todo, 410 pessoas morreram após serem atropeladas no município ao longo do ano passado, uma média superior a uma vítima por dia. As informações são do jornal Folha de São Paulo.

Os dados constam no Infosiga, sistema estadual de monitoramento da letalidade no trânsito, e foram divulgados nesta sexta-feira (16) pelo Detran-SP. O número supera os 372 óbitos registrados em 2024 e só é inferior ao de 2015, quando a capital contabilizou 461 mortes, início da série histórica.

Posicionamento da Prefeitura de SP

Em nota, a Prefeitura de São Paulo, por meio da Companhia de Engenharia de Tráfego, informou que tem adotado medidas para ampliar a segurança viária. Entre as ações citadas estão a criação de áreas calmas, com limite de velocidade de até 30 km/h, implantação de rotas escolares seguras, redução do limite de velocidade de 50 km/h para 40 km/h em 24 vias e aumento do tempo de travessia para pedestres.

A gestão municipal também menciona a implantação de mais de 10 mil novas faixas de pedestres, travessias elevadas em pontos considerados estratégicos, minirrotatórias e o Programa Operacional de Segurança em vias com maior índice de acidentes.

Avaliação de especialista

Para Diogo Lemos, coordenador-executivo da Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global, o crescimento das mortes indica falta de continuidade em políticas integradas de segurança viária na capital. Segundo ele, os dados mostram que os pedestres continuam em situação de grande vulnerabilidade no trânsito paulistano.

Lemos afirma que as travessias são muito espaçadas, os ciclos semafóricos estão mais longos e o tempo destinado aos pedestres é insuficiente, o que leva a comportamentos inseguros. Ele defende que a gestão da velocidade seja central, especialmente em áreas de grande circulação, como entornos de escolas, hospitais, terminais de ônibus e áreas comerciais, onde velocidades de até 30 km/h deveriam ser regra.

Soluções de baixo custo não são adotadas em escala

O especialista também aponta soluções de baixo custo que, segundo ele, não vêm sendo adotadas em escala, como encurtamento de travessias, redução do raio de curvatura em esquinas, moderação de tráfego e ajustes nos semáforos para ampliar o tempo de travessia.

As mortes por atropelamento foram as únicas que apresentaram alta no trânsito da capital em 2025 e influenciaram o aumento de 0,5% no total de óbitos, que passou de 928 em 2024 para 1.101 no ano passado.

Motociclistas seguem como grupo mais atingido

O número de motociclistas mortos caiu 1,2%, mas esse grupo segue como o mais atingido. Em 2025, 475 ocupantes de motocicletas, entre condutores e passageiros, morreram em acidentes na cidade.

As vias com maior número de mortes foram as marginais Pinheiros e Tietê, com 12 óbitos cada, seguidas pelo trecho urbano da rodovia Raposo Tavares, que registrou nove mortes.

Panorama estadual

No estado de São Paulo, o total de mortes no trânsito permaneceu praticamente estável, com queda de 0,3%. Ao longo de 2025, 6.109 pessoas morreram em acidentes nos municípios paulistas, uma média de 17 por dia.

Segundo o Detran-SP, os sinistros de trânsito caíram 22,6% no estado. O órgão informou ainda que houve aumento de 125% nas operações de combate à alcoolemia e de 94,4% nas abordagens de condutores, além da realização de cerca de 3 mil ações educativas, que alcançaram aproximadamente 800 mil pessoas.

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