MP investiga governo Zema por corte 96% nas verbas de prevenção contra chuvas
MP investiga possível falha na execução de verbas públicas
247 - O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) abriu um inquérito para apurar a forte redução nos investimentos do governo de Romeu Zema destinados à prevenção de impactos causados pelas chuvas. A investigação foi motivada por denúncia apresentada por parlamentares da oposição, que questionam a execução dos recursos públicos. Segundo o G1, os valores destinados à área caíram de R$ 135 milhões em 2023 para cerca de R$ 6 milhões em 2025, uma redução de 96%.
Queda de investimentos em meio a tragédias
A diminuição dos recursos ganhou relevância após levantamento publicado em fevereiro, quando cidades da Zona da Mata Mineira enfrentavam fortes chuvas. Municípios como Juiz de Fora e Ubá foram atingidos, e a região registrou 72 mortes em decorrência dos temporais. O inquérito busca esclarecer se houve falhas na aplicação de verbas já autorizadas, além de investigar possíveis bloqueios ou não execução de recursos destinados à prevenção de desastres.
Governo defende volume total de investimentos
Em resposta anterior, o governo de Minas Gerais afirmou que a gestão dos gastos relacionados ao período chuvoso envolve diferentes órgãos, e não apenas a Defesa Civil.
Em nota, a administração declarou que “a gestão do atendimento e dos gastos públicos durante o período chuvoso envolve vários órgãos e não apenas a Defesa Civil”. Também afirmou que, “somando todos os recursos investidos”, foram aplicados “mais R$ 170 milhões desde 2022 na prevenção e resposta a desastres”.
Segundo o governo, esses recursos incluem verbas do Tesouro estadual, emendas parlamentares, valores do acordo de Brumadinho e fundos do próprio Ministério Público, com foco no fortalecimento das defesas civis municipais.
Investigação também mira obras públicas
Além da análise sobre os investimentos, o Ministério Público também apura a destinação de recursos estaduais e emendas parlamentares enviados a Juiz de Fora desde fevereiro de 2026.
Outras investigações foram abertas envolvendo intervenções na cidade. Um dos casos envolve a Escola Estadual Mariano Procópio, onde o Corpo de Bombeiros identificou problemas estruturais em salas recém-construídas. De acordo com o órgão, os espaços não possuem vigas ou pilares adequados, o que provocou a inclinação de paredes e levou à interdição do prédio.
Dados mostram queda contínua nos recursos
Informações do Portal da Transparência indicam que os investimentos na área vêm caindo de forma contínua. Em 2023, foram destinados cerca de R$ 134,8 milhões. Em 2024, o valor caiu para R$ 41,1 milhões, e em 2025 chegou a aproximadamente R$ 5,8 milhões.Já em 2026, nos primeiros meses do ano, apenas R$ 16,1 mil haviam sido aplicados em infraestrutura voltada ao combate aos temporais.
Os dados analisados incluem programas sob responsabilidade de diferentes órgãos estaduais, como o Gabinete Militar, responsável pela coordenação da Defesa Civil, e abrangem ações de resposta a desastres, mitigação de danos e prevenção de eventos meteorológicos extremos.
Segundo a reportagem, o governo de Minas Gerais não se manifestou sobre a abertura do inquérito.


