'Precisamos multiplicar vozes em defesa do governo Lula, pois Trump tentará interferir no Brasil', diz Alencar Santana (vídeo)
Deputado afirma que o presidente dos Estados Unidos busca ampliar influência na América Latina por meio da disputa no Brasil
247 – O deputado federal Alencar Santana Braga (PT-SP) afirmou nesta terça-feira (22), em vídeo, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mira a eleição brasileira como parte de uma estratégia para ampliar sua influência sobre a América Latina.
"Temos que multiplicar as nossas vozes em defesa do governo do presidente Lula, porque defender o governo do presidente Lula é defender o povo brasileiro, a nossa soberania, as nossas riquezas, os nossos interesses. E não governos traidores, como é o simbolizado pela família Bolsonaro", afirmou na rede social X, acrescentando que o chefe da Casa Branca "tentará intervir de alguma maneira na eleição brasileira, como já está tentando ao colocar sanções econômicas ao Brasil".
De acordo com o deputado do PT, a disputa eleitoral no Brasil envolve soberania nacional, defesa das riquezas do país e resistência a pressões externas. "O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assume que o próximo alvo é o Brasil. Dizendo que é a eleição mais importante do hemisfério, nisso ele erra. Na verdade, é a eleição mais importante do mundo", disse Alencar.
O parlamentar petista continuou seus alertas. "Para que ele tenha o controle de influência na América Latina, em toda a América, precisa aqui ganhar a eleição brasileira. Mas, ora, ele não é candidato no Brasil. Se ele diz que o Lula não é o seu candidato, quem é? Sabe quem é? É Flávio Bolsonaro, que lá foi fazer juras de amor, que lá, submisso, foi entregar nossas riquezas, que lá, submisso, bateu continência à bandeira norte-americana", afirmou.
Contexto
O presidente dos Estados Unidos divulgou em seu perfil na Truth Social um artigo que celebra o avanço de aliados políticos na América Latina e apresenta o Brasil como o “próximo grande teste” para a influência regional republicana.
Assinado por John Gizzi, do site norte-americano Newsmax, o texto compartilhado pelo chefe da Casa Branca afirma que Trump acumulou “8 vitórias em 7 anos” na América Latina. Na avaliação do autor, a região vive uma expansão da direita alinhada ao republicano.
Segundo o artigo, a eleição de Abelardo de la Espriella, do Defensores de la Patria, na Colômbia, teria feito do país a “8ª nação latino-americana em 7 anos a trocar um governo de esquerda por um de centro-direita assumidamente favorável a Trump”. O colunista também menciona El Salvador, Argentina, Equador, Honduras, Bolívia, Chile e Peru.
Tentativas de sanções
No início do mês, o governo Trump anunciou a imposição de uma tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. A gestão trumpista acusou o Brasil, sem apresentar provas, de práticas comerciais desleais e também fez críticas ao Pix, sistema de pagamento criado pelo Banco Central em 2020.
Para lideranças progressistas, a ofensiva comercial dos EUA contra o Brasil se relaciona às condenações definidas pelo STF na investigação da trama golpista. Aliado de Donald Trump, Jair Bolsonaro teve a pena mais alta entre os 29 condenados: 27 anos de prisão.
Esses setores avaliam que os EUA buscam pressionar o Brasil em meio ao avanço das decisões judiciais contra nomes da extrema direita. A acusação de ingerência aparece junto às críticas sobre a tentativa de aplicar tarifas a produtos brasileiros e ao ataque ao Pix, um dos sistemas de pagamento mais utilizados no país.
O tarifaço foi anunciado em 2 de junho, depois de Flávio Bolsonaro e do deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) se reunirem com Donald Trump na Casa Branca, em Washington.
Popularidade de Trump em queda
O presidente dos EUA segue em um dos níveis mais baixos de aprovação de sua carreira política. Pesquisa Reuters/Ipsos concluída nesta segunda-feira, 15 de junho, apontou que apenas 36% dos estadunidenses aprovam sua gestão.
O levantamento registrou uma pequena variação positiva de um ponto percentual nos últimos dias, mas manteve o quadro de desaprovação majoritária ao governo Trump. O custo de vida aparece como o principal ponto de desgaste da administração, por afetar diretamente o cotidiano da população.
Segundo a Reuters, a pesquisa ouviu 1.537 adultos em todo o país ao longo de quatro dias. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.
As entrevistas ocorreram em dois momentos: parte antes e parte depois do anúncio feito por Trump no domingo (21). Na ocasião, o presidente afirmou que ele e líderes iranianos haviam alcançado um acordo para encerrar a guerra entre os dois países, conflito que vinha exercendo forte pressão sobre os preços da gasolina.



