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Tarcísio avalia tarifa de contingência da Sabesp para conter crise hídrica: "nada está descartado"

Governador afirma que estado saiu do período crítico, mas estuda medidas contra nova crise hídrica

Tarcísio de Freitas e Sabesp (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli | Divuglação/Sabesp)

247 - O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quinta-feira (19) que não descarta a adoção de novas medidas para enfrentar uma eventual crise hídrica no estado, incluindo a possibilidade de uma tarifa de contingência na Sabesp. Apesar disso, sustentou que São Paulo já deixou o período mais crítico e se afastou do risco imediato de desabastecimento. De acordo com o jornal O Globo, o Sistema Cantareira opera atualmente com 33,3% do volume útil, índice que chegou a 19% em dezembro. Já o sistema integrado registra 43% de sua capacidade.

Recuperação dos reservatórios

Ao comentar o cenário atual, o governador ressaltou que a recuperação dos reservatórios é resultado de um conjunto de intervenções. Segundo ele, medidas como a transposição de bacias, obras de interligação entre reservatórios e a gestão de demanda no período noturno contribuíram para uma economia de quase 85 bilhões de litros de água.

Questionado se adotaria a mesma estratégia utilizada na crise de 2014 e 2015, quando a Sabesp instituiu cobrança adicional para consumidores que ultrapassassem a média de consumo, Tarcísio foi enfático: “nada está descartado”.

Tarifa de contingência no radar

Na crise anterior, a tarifa de contingência previa acréscimo na conta para quem consumisse acima da média registrada entre 2013 e 2014, podendo chegar a 100% de aumento para imóveis que excedessem em 20% o consumo médio.

Ao avaliar os efeitos das ações adotadas naquele período, o governador ponderou: “Quando houve a crise hídrica de 2014 e 2015, muitas medidas foram tomadas e aí você não consegue separar o efeito de cada uma. Quanto cada medida de fato contribuiu para a economia?”.

Ele acrescentou que as providências recentes evitaram consequências mais severas. “As medidas trouxeram sim transtorno, mas evitaram transtornos mais sérios, como o rodízio, o desabastecimento e o racionamento. A gente conseguiu sair daquele período supercrítico, que se aproximava da situação de 2014, e estamos vendo uma recuperação gradual. Nada está descartado. A gente vai continuar estudando, não estamos olhando o ponto hoje, a gente está olhando a curva lá na frente. Não adianta ter um nível de reserva hoje sem pensar no que vai acontecer no próximo período de estiagem. É dentro dessa curva que a gente vai projetando as medidas, levando em consideração aquelas obras que estão em andamento que também vão ajudar a atenuar o problema”, disse. 

Impacto da privatização da Sabesp

O governador também anunciou a entrega de novos reservatórios ainda neste ano, tanto na Região Metropolitana de São Paulo quanto na Baixada Santista, além da incorporação de “novas tecnologias” voltadas à resiliência climática.

Em janeiro de 2014, quando o sistema integrado operava com cerca de 40% da capacidade, a gestão de Geraldo Alckmin — então no PSDB, atualmente no PSB — adotou medidas que afetaram diretamente os consumidores, como descontos para quem reduzisse o uso de água e multas para quem ultrapassasse o limite estabelecido.

No contexto atual, o governo estadual tem resistido à adoção de medidas que impactem a tarifa. A situação difere da crise anterior porque a Sabesp foi privatizada, o que torna alterações na arrecadação da companhia mais complexas do ponto de vista regulatório e contratual.

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