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Vice-prefeito de SP promove uso de produtos da Ypê em meio a investigação sanitária

Ricardo Mello Araújo, filiado ao PL, afirma agir como "cidadão" ao defender empresa; órgãos sanitários mantêm alerta sobre produtos do lote 1

Vice-prefeito de SP promove uso de produtos da Ypê em meio a investigação sanitária (Foto: Divulgação / Reprodução Instagram @melloaraujo10)

247 - O vice-prefeito de São Paulo (SP), Ricardo Mello Araújo (PL), publicou vídeos nas redes sociais recomendando o uso de produtos da Ypê. A fabricante teve parte de sua produção suspensa por órgãos de vigilância sanitária. As informações são do jornal Folha de São Paulo.

Em uma das gravações, o vice-prefeito aparece lavando louça enquanto incentiva consumidores a comprarem produtos da marca. "Aqui em casa, gente, é só produto Ypê. Vamos acabar com essa sacanagem que estão fazendo com uma empresa 100% brasileira. Vamos nos supermercados, vamos comprar produtos Ypê", declarou.

Mello Araújo também afirmou: "Vamos mudar essa história. Vamos mostrar a nossa força." Questionado sobre eventual atuação da Prefeitura de São Paulo em favor da empresa, o vice-prefeito disse que se manifestou apenas como "cidadão". Segundo ele, sua posição não tem relação com o cargo público.

"Não tem nada com a prefeitura. Trabalhei na empresa antes de entrar na política e conheço a seriedade da empresa. O uso está autorizado pela Justiça, então defendi o que acredito", afirmou.

Vídeos compartilhados

Nas redes sociais, o vice-prefeito também compartilhou vídeos de apoiadores de Jair Bolsonaro em defesa da Ypê. As manifestações aumentaram após a fabricante Química Amparo obter, na sexta-feira (8), uma liminar favorável na Justiça.

Apoiadores de Bolsonaro passaram a promover campanhas nas redes sociais em apoio à empresa. Eles afirmam, sem provas, que a fabricante estaria sendo alvo de perseguição e represália por parte do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Posição da Ypê e alerta sanitário

Em nota divulgada no sábado (9), a Ypê informou que manterá suspensas as linhas de produção de detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes ligados aos lotes com final 1, mesmo após obter efeito suspensivo na Justiça. De acordo com a empresa, a medida busca acelerar o cumprimento das exigências apontadas pela Anvisa. A fabricante afirmou ainda que vem colaborando com as autoridades sanitárias para solucionar o caso.

Enquanto isso, o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo (CVS) orienta cautela aos consumidores. Em nota, o órgão informou que permanece a avaliação de risco sanitário e que não recomenda o uso nem a comercialização dos produtos do lote 1. O trabalho de análise é conduzido conjuntamente pela Anvisa, pelo CVS e pela Vigilância Sanitária de Amparo.

Segundo os órgãos sanitários, a inspeção identificou descumprimentos em etapas consideradas essenciais da produção, além de falhas que indicariam risco sanitário em diferentes produtos fabricados pela empresa. A nota do CVS afirma que a decisão judicial não altera, até o momento, a avaliação técnica feita pelos órgãos de fiscalização. O comunicado também informa que eventual recurso administrativo apresentado pela empresa seguirá os procedimentos previstos na legislação vigente.

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