Cirurgia superfaturada revela fraude milionária em plano de servidores de SC
Esquema com ações judiciais e sobrepreço em materiais médicos causou prejuízo milionário e levou à operação policial em vários estados
247 - A descoberta de cirurgias com valores inflados expôs um esquema de fraude milionária no plano de saúde dos servidores públicos de Santa Catarina. Investigações identificaram cobranças muito acima dos preços de mercado, incluindo um procedimento que saltou de R$ 29 mil para R$ 600 mil, o que levantou suspeitas sobre a atuação de um grupo organizado. A Polícia Civil analisou 33 procedimentos e estimou um prejuízo de cerca de R$ 6 milhões aos cofres públicos. Os relatos foram publicados no Portal G1.
As informações foram divulgadas pela Polícia Civil e pelo governo de Santa Catarina, que apontaram irregularidades detectadas inicialmente em auditorias internas do SC Saúde. Os indícios reunidos levaram à abertura de investigação que resultou na deflagração da “Operação Dose Extra”.
De acordo com a apuração, médicos, empresários e advogados que não integravam o quadro do plano atuavam de forma articulada. Eles se aproveitavam de negativas administrativas para recorrer ao Judiciário e, na sequência, apresentavam orçamentos inflados para órteses, próteses e materiais especiais, conhecidos como OPMEs, sem justificativa técnica para os valores elevados. Os investigadores destacaram que os custos cobrados “eram drasticamente superiores aos de mercado”, o que reforçou a suspeita de superfaturamento recorrente.
A operação mobilizou equipes em diferentes regiões do país. Ao todo, agentes cumpriram 31 mandados de busca e apreensão em Santa Catarina e também em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Tocantins. As diligências incluíram cidades como Belo Horizonte e Uberlândia, além de Campos dos Goytacazes.
A Justiça autorizou medidas para assegurar a recuperação de valores. A Vara Estadual de Organizações Criminosas determinou a apreensão de 35 veículos, duas motos aquáticas e uma embarcação. Também ordenou o bloqueio de bens e recursos financeiros dos investigados até o limite de R$ 10 milhões.
O governo estadual informou que encaminhou formalmente à Polícia Civil os indícios identificados em auditoria, o que deu início à apuração policial. As investigações seguem em andamento para esclarecer o papel de cada envolvido e dimensionar o impacto total do esquema no sistema de saúde dos servidores públicos.


