Ampliação do Plano Brasil Soberano fortalece indústria farmacêutica e reduz dependência, aponta entidade do setor
Investimento de R$ 15 bilhões impulsiona inovação, produção nacional e geração de empregos qualificados
247 - A ampliação dos recursos do programa Brasil Soberano, com a destinação adicional de R$ 15 bilhões ao setor produtivo, é apontada como uma iniciativa relevante para fortalecer a indústria farmacêutica no Brasil. A medida busca enfrentar gargalos estruturais que limitam a competitividade e a expansão do setor, especialmente no que diz respeito à dependência externa e à necessidade de investimentos de longo prazo.
Segundo o Grupo FarmaBrasil, entidade que reúne 12 das principais farmacêuticas nacionais, o setor ainda enfrenta forte dependência de importações, com cerca de 80% dos insumos farmacêuticos ativos (IFAs) vindos do exterior, além de 37% dos medicamentos consumidos no país. Esse cenário contribuiu para um déficit estrutural estimado em aproximadamente US$ 15 bilhões em 2025, reforçando a necessidade de políticas voltadas ao fortalecimento da produção nacional.
De acordo com o presidente-executivo da entidade, Reginaldo Arcuri, o setor exige investimentos robustos e de longo prazo. “Trata-se de uma indústria intensiva em capital e inovação, cujos projetos produtivos demandam elevados investimentos iniciais, alto grau de exigência regulatória e longos prazos de maturação. Nesse contexto, instrumentos de crédito direcionado, como os viabilizados pelo programa, são fundamentais para ampliar a capacidade produtiva, incentivar a modernização tecnológica e viabilizar novos investimentos industriais”, afirmou.
A indústria farmacêutica ocupa posição estratégica na economia brasileira, integrando um conjunto de atividades que representa cerca de 9,7% do Produto Interno Bruto (PIB) quando considerado o setor de saúde. Além de garantir o abastecimento de medicamentos e contribuir para o funcionamento do sistema de saúde, o segmento é visto como essencial para a segurança sanitária do país.
No campo do emprego, o setor também apresenta desempenho relevante. Em 2025, foram registrados aproximadamente 206 mil postos formais de trabalho, com crescimento de cerca de 5% em relação ao ano anterior. A atividade se destaca ainda pelo alto nível de formalização, próximo de 93%, e pela remuneração média superior à observada na indústria de transformação.
A produção farmacêutica no Brasil tem mostrado trajetória de expansão nos últimos anos, com crescimento médio de cerca de 12% ao ano no período recente. Esse avanço reflete a capacidade do setor de responder ao aumento da demanda, mesmo diante de oscilações conjunturais.
O desempenho do mercado acompanha essa dinâmica. Em 2024, o faturamento da indústria farmacêutica brasileira alcançou aproximadamente R$ 160,7 bilhões, com expansão nominal de 13% em relação ao ano anterior e crescimento de 5% no volume de unidades comercializadas.
O fortalecimento do setor também tem sido impulsionado pelo aumento do apoio financeiro público. “Esse movimento de expansão vem sendo acompanhado por uma ampliação relevante do apoio financeiro público ao setor. Nos últimos anos, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) elevou significativamente o volume de crédito destinado à indústria farmacêutica, atingindo patamares recordes”, destacou Arcuri.
Entre 2024 e 2025, o BNDES aprovou cerca de R$ 3,2 bilhões em financiamentos para o setor, o maior volume já registrado. Desde 2023, o montante acumulado supera R$ 5 bilhões, direcionados a projetos de inovação, ampliação da capacidade produtiva e desenvolvimento tecnológico.
Os investimentos têm priorizado áreas estratégicas, como a produção de medicamentos de alta complexidade, o fortalecimento da pesquisa e desenvolvimento e a modernização de plantas industriais. Segundo o Grupo FarmaBrasil, essas iniciativas contribuem diretamente para o avanço da produção local, o lançamento de novos produtos e a redução da dependência externa.
Para Arcuri, os indicadores reforçam a importância da ampliação do programa. “Esses dados evidenciam que o setor combina crescimento de demanda, expansão produtiva e geração de empregos qualificados, o que reforça a necessidade de instrumentos capazes de sustentar e ampliar esse ciclo virtuoso. A ampliação dos recursos do programa confere escala e efetividade ao instrumento, ampliando sua capacidade de impacto sobre setores estratégicos”, afirmou.
O executivo também destacou os efeitos estruturais da política. “Ao favorecer a expansão da produção doméstica, a medida contribui para mitigar riscos de desabastecimento, fortalecer a segurança sanitária do país e ampliar o acesso da população a medicamentos”, completou.


