Humorista e filho vão a júri popular por morte de miss no Paraná
Os dois réus devem responder por crimes ligados ao assassinato de Raíssa Suelen Ferreira da Silva e à ocultação do corpo
247 - A Justiça do Paraná decidiu que o humorista Marcelo Alves dos Santos e seu filho, Dhony de Assis, serão levados a júri popular por envolvimento na morte da miss teen Raíssa Suelen Ferreira da Silva, de 23 anos, em Curitiba. Ainda não há data definida para o julgamento.
O caso, que teve grande repercussão na capital paranaense, foi confirmado em decisão judicial que aponta que os dois réus devem responder por crimes ligados ao assassinato e à ocultação do corpo. A informação foi divulgada inicialmente em reportagens da imprensa local, com destaque para declarações dos advogados das partes envolvidas. Os relatos foram publicados no Portal G1.
O crime ocorreu em 2 de junho de 2025, data em que Raíssa foi dada como desaparecida. Sete dias depois, investigadores localizaram o corpo da jovem enrolado em uma lona, em uma área de mata no município de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba. Segundo o andamento do caso, Marcelo procurou a polícia e confessou o assassinato.
De acordo com a decisão da Justiça, o humorista responderá por feminicídio qualificado, ocultação de cadáver e fraude processual. Já o filho, Dhony de Assis, foi denunciado por participação nos crimes cometidos após o homicídio, respondendo por fraude processual e ocultação de cadáver.
A defesa dos acusados informou que recebeu a decisão com naturalidade, mas pretende contestar a tipificação de feminicídio. Em nota, o advogado Caio Percival afirmou que irá recorrer da decisão.
“Reiteramos que a defesa discorda com tal classificação jurídica constante na decisão, motivo pelo qual o caso deverá ser remetido nos próximos dias, por meio do recurso adequado manejado pela defesa, para a instância superior, onde passará por nova avaliação técnica no tocante à capitulação jurídica”, declarou.
Atualmente, Marcelo permanece preso preventivamente, enquanto Dhony responde ao processo em liberdade, submetido a medidas cautelares determinadas pela Justiça. A família de Raíssa Suelen comemorou a decisão.
O advogado Leonardo Mestre Negri, representante dos familiares da vítima, afirmou que o encaminhamento ao Tribunal do Júri reforça a acusação apresentada no caso e mantém o entendimento de que houve feminicídio. “A decisão da Justiça confirma a solidez da acusação e afasta, neste momento processual, a tentativa defensiva de descaracterizar o feminicídio”, afirmou.
Segundo ele, a Justiça reconheceu que há elementos suficientes para levar o caso a julgamento popular. “O Judiciário reconheceu que há base jurídica e probatória suficiente para levar o caso a julgamento pelo Tribunal do Júri, mantendo a imputação qualificada e rejeitando leituras que minimizam a violência de gênero envolvida. A família da vítima, por meio da assistência de acusação, atuará com firmeza para que o julgamento popular enfrente o crime como ele efetivamente é: um feminicídio, nos exatos termos da lei”.
Com a decisão, o processo avança para a fase do Tribunal do Júri, etapa em que os jurados deverão avaliar a responsabilidade criminal dos acusados e decidir sobre a condenação, enquanto a defesa ainda tenta reverter a tipificação do crime nas instâncias superiores.


